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Filmes de 2005

LastFM

in development.

Wednesday, 23 April 2008 1:36 A GMT+01

 A vontade tem vindo lentamente a reaparecer. E com um pouco de tempo para desperdiçar penso que é altura de deixar as desculpas de lado e voltar ao "trabalho". Aqui, noutro ou noutros sítios... ainda não sei. Notícias para breve.

Goodbye... for now

Monday, 4 February 2008 10:57 P GMT+01

 

 

Depois de mais de 4 anos (jeez) no activo o blog Mulholland Drive vai fechar as suas portas para "obras". O formato da página há muito que estagnou e com ele a motivação para as actualizações por isso é possivel que vá encerrar de vez e, brevemente (ou não tão brevemente), dar origem a um novo blog algo diferente. Por enquanto despeço-me com uma imagem daquele que já é o filme do ano (No Country for Old Men dos Irmãos Coen) e agradeço a todas as pessoas que foram visitando este humilde espaço. Um adeus temporário e cumprimentos cinéfilos...

HEATH LEDGER 1979-2008

Tuesday, 22 January 2008 11:38 P GMT+01

 

 

 

Parece uma daquelas partidas de mau gosto só que neste caso não é . Um dos mais promissores talentos de Hollywood foi encontrado morto hoje na sua casa em Nova Iorque. As razões são ainda desconhecidas mas a tragédia absolutamente surreal é evidente. Rest in peace.

NOMEAÇÕES OSCAR 2008

Tuesday, 22 January 2008 4:21 P GMT+01

Poucas surpresas nas nomeações ao Óscar deste ano: a omissão de Sean Penn e o seu Into the Wild foi a maior; a aparição de Tommy Lee Jones na categoria de Melhor Actor; Angelina Jolie a não conseguir a sua segunda nomeação por A Mighty Heart.

Destaca-se a dupla nomeação de Cate Blanchett por Elizabeth: The Golden Age e I'm Not There, a de Viggo Mortensen por Eastern Promises e a dominância de dois filmes "atípicos" como No Country For Old Man dos Coen e There Will Be Blood de Paul Thomas Anderson.

NOMEAÇÕES COMPLETAS EM OSCAR.COM

Best Film
There Will Be Blood
No Country For Old Men
Atonement
Juno
Michael Clayton

Best Director
Paul Thomas Anderson - There Will Be Blood
Ethan Coen and Joel Coen - No Country For Old Men
Tony Gilroy - Michael Clayton
Jason Reitman - Juno
Julian Schnabel - The Diving Bell And The Butterfly

Best Actor
George Clooney - Michael Clayton
Daniel Day-Lewis - There Will Be Blood
Johnny Depp - Sweeney Todd: The Demon Barber Of Fleet Street
Viggo Mortensen - Eastern Promises
Tommy Lee Jones - In The Valley Of Elah

Best Actress
Cate Blanchett - Elizabeth: The Golden Age
Julie Christie - Away From Her
Marion Cotillard - La Vie En Rose
Laura Linney - The Savages
Ellen Page - Juno

Best Supporting Actress
Cate Blanchett - I'm Not There
Ruby Dee - American Gangster
Saoirse Ronan - Atonement
Amy Ryan - Gone Baby Gone
Tilda Swinton - Michael Clayton

Best Supporting Actor
Casey Affleck - The Assassination Of Jesse James By The Coward Robert Ford
Javier Bardem - No Country For Old Men
Philip Seymour Hoffman - Charlie Wilson's War
Hal Holbrook - Into The Wild
Tom Wilkinson - Michael Clayton

 

дом

Thursday, 17 January 2008 1:32 A GMT+01
 
Regresso a casa. 
 

Nostalghia (1983) de Andrei Tarkovsky 

O MELHOR DE 2007: TOP10

Sunday, 30 December 2007 5:06 P GMT+01

 

Aqui ficam então as minhas escolhas dos melhores filmes do ano de 2007. Foi indiscutivelmente um ano pouco recheado de grandes filmes e cheio de objectos de fugaz inconsequência. Só o início de 2008, e a quantidade de filmes a estrear nos primeiros meses do ano, parecem ser mais excitantes que todos os doze meses que passaram mas seria uma tremenda injustiça não mencionar aqueles que realmente se distanciaram de todos os outros pela positiva. Aqui ficam então cinco menções honrosas e depois a lista dos dez melhores filmes de 2007 propriamente ditos:

 

15. Knocked Up, de Judd Apatow
14. Still Life, de Jia Zhang-Ke
13. The Good German, de Steven Soderbergh
12. Chansons D’Amour, de Christophe Honoré
11. Ratatouille, de Brad Bird

 

 
10. Bug, de William Friedkin
 

William Friedkin é na maior parte das vezes lembrado nos meandros do terror pelos deliciosos excessos de The Exorcist mas em Bug é o claustrofóbico minimalismo que impera num jogo mental perigoso em que sufoca o espectador com uma paranóia escalante e derradeiramente irresistível. Há muito que não se via um thriller psicológico tão paralisante. O dispositivo teatral, normalmente um prego no caixão de muitos filmes, é usado a seu favor, não só pelas brilhantes interpretações dos actores mas também porque ao mantê-los enclausurados, a pele começa a inquietar-se e a insanidade a  encontrar maneira de se justificar.

 

 
9. Paranoid Park, de Gus Van Sant

É um engano ver Paranoid Park somente como um testemunho confuso de um adolescente a descobrir o mundo para além dele mesmo. Apesar de subtilmente invocar a angústia juvenil de alguém que procura desnorteado o seu caminho é acima de tudo uma obra sobre as consequências das diversas escolhas que fazemos numa definição muito mais ampla. A maneira como explora de forma não cronológica os vários eventos que transformam a pacata vida de Alex, um jovem de liceu igual a todos os outros, é prova da silenciosa genialidade de um cineasta como Gus Vant Sant, um cronista dos nossos tempos que há muitos anos atrás descobriu no cinema (independente) a sua plataforma. Um belíssimo filme difícil de explicar mas muito fácil de entender.

 

 
8. Falkenberg Farväl, de Jesper Ganslandt

Aqui o microcosmos aperta e o tema é muito específico e geracional. Ganslandt revela por meio de vivências de um grupo de amigos de infância a difícil tarefa que é crescer nos dias de hoje e atingir a idade adulta e traçar objectivos de vida e uma meta a alcançar. Debruça-se especificamente sob a guerra muda de uma geração perdida e desamparada, contagiada pela apatia constantemente presente quando não existe nada concreto por que lutar e batalhar. Uma tragédia muito ignorada e menosprezada que tem aqui um dos seus mais honestos e desconcertantes veículos.

 

 
7. Little Children, de Todd Field

A sociedade americana dos subúrbios parece ter sido publicamente descortinada por Sam Mendes aquando da feitura de American Beauty. Mas a realidade é que esta sátira provém de uma obra anterior de Ang Lee de nome The Ice Storm em que pela primeira vez a origem deste estilo de vida e todas as suas ramificações foram expostas de forma verdadeira e reveladora da própria natureza humana. É nesta (inexplicavelmente) ignorada visão que Todd Field se terá inspirado para este Little Children, vincando fortemente o paradoxo criança/adulto que continua aceso muito para além da passagem da adolescência. São-nos mostradas regressões à infância de pais que condenam nas crias os actos próprios perpetuam. Um fascinante ensaio sobre um amadurecimento tardio, pontuado por algumas das mais incríveis interpretações do ano, denominadamente a sempre surpreendente Kate Winslet.

 

 
6. Zodiac, de David Fincher

David Fincher tornou-se involuntariamente no pai do thriller psicológico moderno quando mostrou ao mundo a inolvidável obra-prima em que se tornou Se7en. O tom e ambiência do filme parecem ser (pobremente) mimetizados em todos os filmes do mesmo género ainda hoje. Em Zodiac, no retorno ao género policial, Fincher volta a inverter as expectativas e apresenta-nos um filme que parece ser a antítese de Se7en... um puzzle que não é suposto ter solução e que no final, para frustração de muitos espectadores mais empíricos, não é efectivamente resolvido. Em lugar desta resolução temos uma abordagem plena de fulgor cinematográfico inspirada nos anos 70, em que cada passo atrás dado na investigação é simultaneamente frustrante e hipnotizante. O elenco encabeçado por Jake Gyllenhaal, um cativante protagonista quase passivo no desenrolar do enredo, envolve na perfeição o brilhantismo audacioso da realização de Fincher, que tem o seu pináculo máximo na encenação de um momento que parece tratar-se da derradeira resolução do mistério e que acaba por se tornar no mais inebriante e talentoso faux pas dos últimos tempos.

 

 
5. Letters from Iwo Jima, de Clint Eastwood

 Depois do notavelmente realizado mas emocionalmente inerte Flags of Our Fathers, as expectativas para Letters from Iwo Jima, a perspectiva japonesa de uma mesma decisiva batalha durante a Segunda Grande Guerra, desceram consideravelmente. Mas Eastwood, um patriótico notório, parece ter singrado com esta invulgar desmistificação do inimigo, ainda que antigo. As personagens inócuas de Flags of Our Fathers são substituídas por seres humanos minados de incertezas e dúvidas sob as suas acções. Cada um dos soldados caracterizados em Letters from Iwo Jima tem uma unicidade que transfigura a face da guerra e das ténues e apagadas linhas que delimitam o aliado do adversário. O mais comovente e penetrante conto de guerra desde Thin Red Line.

 

 
4. Eastern Promises, de David Cronenberg

David Cronenberg é mundialmente reconhecido pela visceralidade inerente a todos os seus filmes. É afinal de contas o autor de filmes tão desorientantes quanto The Fly, Videodrome e eXistenZ. No entanto com Spider o cineasta mostrou uma diferente face da sua arte, que tomou a sua forma final em A History of Violence. Em Eastern Promises continua a traçar o seu novo legado, que sem largar a sua marca, propõe descobrir essa mesma visceralidade de fora para dentro, como que a criar uma porta de entrada para a exploração dos mais primordiais e recalcados receios do ser humano, nomeadamente a aceitação de uma identidade, que volta a ser a batalha central não só do protagonista interpretado com fulgor por Viggo Mortensen, mas de todas as outras personagens que o rodeiam. Cronenberg não só prova a sua mestria como também a direcciona de forma inesperada para um novo destino.

 

 
3. Death Proof, de Quentin Tarantino

Death Proof é talvez o primeiro filme da carreira de Tarantino a dividir de alguma forma o grande público. A própria crítica não soube muito bem como reagir a um objecto de formas tão indistintas e ao mesmo tempo tão demarcadas e consistentes. Há quem tenha afirmado que se trata de um filme que preconiza o futuro, não só de Tarantino enquanto autor, mas do próprio cinema. E talvez não esteja totalmente errado. A liberdade total com que o realizador encena este audaz delírio retro é uma expressão máxima do cinema, permitindo às imagens moverem a história e não o contrário. O elemento narrativo deste argumento quase que se limita aos tempestuosos mas autênticos diálogos que o pontuam, sinónimos de um realismo que apenas Tarantino parece conseguir invocar sem artificialismos. Tudo o resto parece ser fruto da mente de um miúdo obstinado que não quer ter nada que os outros (e mesmo ele próprio) já tenham. A metáfora pode ser exagerada para a verdade é que nunca se viu nada como Death Proof numa sala de cinema.

 

 
2. The Fountain, de Darren Aronofsky

Outro acto visionário comparado pelos seus adeptos mais efervescentes a 2001: Space Odyssey.  Apesar de ter sido ignorado por grande parte da crítica, do público e mesmo dos outros cineastas, The Fountain é uma obra-prima de pura invenção. Darren Aronofsky mistura ciência e crença de uma forma que não conhece precedentes num objecto de rara transcendência. Um projecto que teve muitos percalços acabou por transformar-se em algo único e com consciência própria. A orquestração visual de Aronofsky desta imortal história de amor é arrebatadora e produz momentos do maior êxtase cinematográfico vistos nos últimos dez, vinte... trinta anos. Um acto de fé muito para além do que a religião permite e a elegia da imortal perseverança da alma humana.

 

 
1. INLAND EMPIRE, de David Lynch

Que dizer sobre David Lynch, um dos grandes criadores do cinema contemporâneo? E mais... que dizer sobre a obra que não só honrou todo o seu passado enquanto autor como também se tornou no oráculo do seu futuro? Em INLAND EMPIRE David Lynch revoluciona a maneira como se faz cinema com o advento do formato digital. O argumento foi escrito à medida que as ideias iam surgindo, que eram imediatamente filmadas sem mossa no orçamento. Os takes eram intermináveis... a câmara esperava por um momento (ou uma série deles) que inspirasse um novo caminho para a cena. E de muitas horas de filmagens é editada uma experiência inédita de vida e morte em cinema. As sinuosas encruzilhadas com que a personagem de Laura Dern se depara são descobertas constantes de caminhos ainda não explorados. A actriz, numa das melhores interpretações de que há memória, é Sandy Williams, Lula Fortune, Susan Blue, Nikki Grace e muitas outras mulheres (e homens) mas é acima de tudo o reflexo puro da nossa relação com o cinema e especificamente com o bizarro mas tão recompensador cinema de David Lynch.

 

Há que ressalvar algo quanto ao ano de 2007. É certo que a nível quantitativo ficou muito aquém das expectativas mas a realidade é que nenhum destes filmes que aqui mencionei seria imediatamente posto de lado num ano mais prolífico. Os cinco do topo da lista são inclusivamente filmes que merecem ficar para a História. E os três primeiros constituem um salto gigantesco na evolução do cinema. Se o próximo ano trouxer um trio destes às salas já é uma pequena grande vitória.

 

Feliz Ano de 2008.

 

imitation of life (1959) de douglas sirk

Wednesday, 26 December 2007 9:34 P GMT+01
 
 
 
Uma arrebatadora obra-prima do rei dos melodramas, Douglas Sirk, com a audácia de explorar um taboo ainda muito evidente nos dias de hoje. Belo, profundamente tocante e admiravelmente corajoso... em reposição no cinema Nimas.

HAVE YOURSELF A MERRY LITTLE CHRISTMAS

Monday, 24 December 2007 8:42 P GMT+01
 
Os meus desejos de bom natal são para variar sob a forma da melhor música de natal alguma vez composta.
Desta vez vem na versão original do extraordinário filme Meet Me in St.Louis de Vincente Minelli.
A voz é de Judy Garland. A mensagem é para sempre.
 
Have Yourself a Merry Little Christmas.
 
 
 

O MELHOR DE 2007

Friday, 14 December 2007 9:29 P GMT+01

O final do ano chega e é tempo de mais um balanço, ainda que feito com menos disponibilidade do que eu próprio gostaria. Não farei listas extensas nem dedicarei um tópico isolado aos piores do ano. Apenas deixarei uma menção (pouco) honrosa a The Heartbreak Kid dos Farelly, Death at a Funeral de Frank Oz e acima de tudo 23 com Jim Carrey e de Joel Schumacher. Fico-me então pelos que considero os protagonistas mais notáveis do ano cinematográfico de 2007, sob o qual farei um balanço mais pormenorizado aquando da publicação do top 10 na semana que vem:

 

 
 
Realizador: Quentin Tarantino, Death Proof

Difícil escolher um realizador entre Lynch, Cronenberg, Aronosfky, Eastwood, Van Sant e Tarantino... contudo a minha ligeira predilecção pelo último deve-se ao facto de Death Proof ser um filme onde se consolidam todas as influências e marcas do autor de forma inesperada. O estilo Tarantino ganha novo significado quando ele ousa transgredir todos os formatos e regras e tem a transfigurante capacidade de olhar para o futuro e simultaneamente criá-lo. Há neste filme um invulgar e excitante salto em frente e o alvorar de uma nova era.

 

 
Argumento: Darren Aronosky, The Fountain

Aronofsky, realizador e argumentista, é o verdadeiro autor de The Fountain, um filme cuja visão, individual e intransmissível, tem como base uma filosófica mas sobretudo espiritual incursão pela volátil eternidade da alma humana quando analisada sob o alento da razão. Uma das mais arrebatadoras e comoventes histórias a passarem pelo cinema nos últimos anos, ladeadas por imagens imortais de um amor inesgotável. As comparações a 2001 talvez não sejam assim tão despropositadas... The Fountain, quase ignorado aquando do seu lançamento, deverá tornar-se num clássico consensual mais cedo que tarde.

 

 
Actriz Principal: Laura Dern, INLAND EMPIRE

Apesar de ter concorrentes de peso como Kate Winslet e Cate Blanchett, é quase impossível não ceder à tentação do entusiasmo e anunciar esta interpretação de Laura Dern como uma das mais desconcertantes e brilhantes interpretações de todos os tempos. A desempenhar uma mulher que representa muitas (e muitos) outras, Dern não deixa para trás um único suspiro de indecisão e carrega a obra-prima que é INLAND EMPIRE nos seus ombros, à medida que nos imerge no desespero e comoção interna despertados.

 

 
Actor Principal: Hugh Jackman, The Fountain

Outra interpretação a ficar para a história. Hugh Jackman tornou-se conhecido pelo seu Wolverine mas poucos pensavam-no capaz de uma entrega tão total a um papel tão exaustivo. Face à eminente doença e morte da sua mulher, Jackman viaja pelo espaço e pelo tempo para salvar o amor que não quer ver extinto, uma luta que o esgota totalmente. Brad Pitt foi a primeira escolha mas abandonou o projecto mais tarde. Abençoado.

 

 
Actriz Secundária: Cate Blanchett, Notes on a Scandal/The Good German

 A melhor actriz da actualidade teria de estar representada aqui. Se não por uma interpretação apenas – apesar da sua recaracterização de Elizabeth merecer todas as menções – por duas. Em Notes of a Scandal tem um registo de puro martirio emocional enquanto mostra todas as perversas fragilidades do ser humano. Em The Good German desempenha na perfeição a fria, distante mas irresistivel e ferida femme fatale, fazendo inveja até a Marlene Dietrich e Barbara Stanwyck. Para o ano será Bob Dylan. O lugar quase que pode ficar reservado.

 

 
Actor Secundário: Michael Shannon, Bug

Um filme doentio contagiado pela alarmante interpretação de Michael Shannon. Num paradoxo constante de loucura e lucidez, este thriller de horror psicológico é manchado pela crescente paranóia do actor, que acaba por infectar Ashley Judd (também na sua melhor interpretação até à data), com quem partilha a mais assombrosa folie a deux de que há memória.

 

 
Elenco: Eastern Promises

Vincent Cassel compõe um retrato surpreendente do actor francês de um homem sem a capacidade de escolher o seu presente face ao peso premente das responsabilidades com que nasceu, representadas pela inicialmente afável figura patriarca de Armin Mueller-Stahl que se transforma no maior monstro da história. Naomi Watts é a nossa guia involuntária por este submundo mas o grande elemento perturbador é Viggo Mortensen que por pouco falhou a categoria atribuída a Hugh Jackman. Uma interpretação memorável de um gangster moderno de identidade dúbia, até para ele mesmo. No final, tal como acontecia em A History of Violence, é difícil distinguir o homem da máscara.

 

 
Fotografia: Christopher Doyle, Paranoid Park

Certos planos e momentos de Paranoid Park ficam imediatamente retidos na memória, não só pela constante invenção de Gus Van Sant mas também por ter escolhido o mais talentoso director de fotografia do cinema contemporâneo. Conhecido pelos seus trabalhos com Wong Kar Wai, Doyle tem vindo a ser seduzido pelo cinema ocidental e depois de Lady in the Water presta os seus “serviços” a este conto de modelação de identidade, conferindo-lhe uma qualidade de realidade quase sobrenatural.

 

 
Montagem: David Lynch, INLAND EMPIRE

Nesta revolução onírica pós-digital o papel da montagem de horas e horas de filmagens ininterruptas é cansativo sequer pensar no trabalho colossal que foi reunir INLAND EMPIRE de todo o material existente. Pela primeira vez desde Eraserhead, Lynch é  o seu próprio editor trazendo todo o fulgor desta visão ao produto final,  livre de tradições e pleno  de inovação.

 

 
Banda Sonora: Clint Mansell & The Kronos Quartet, The Fountain

 As orquestrações de Mansell e dos Kronos Quartet para Requiem For a Dream são hoje em dia repetidas e imitadas por grande parte dos compositores fílmicos. O efeito paralelo não deve tardar pois em The Fountain invocam mundos dolorosamente próximos ao nosso à medida que simultaneamente transmitem uma romântica noção de exotismo perdido. 

 
Revelação: Sam Riley, Control

Um filme que deixou muita margem para melhoramentos mas com uma interpretação alarmante. Sam Riley conseguiu o que Corbijn apenas arranhou na superfície: incorporar a mente brilhante de Ian Curtis ao mesmo tempo que lhe dava espaço para habitar o corpo visivel para todos. A viagem conturbada e esgotante do homem é espelhada no olhar e em cada movimento do actor, que lhe providencia uma plataforma de honestidade que vai muito além da imitação.

 

 

  

  

ENCHANTED (2007) de Kevin Lima

Sunday, 9 December 2007 10:44 P GMT+01


 



Cinderela em Nova Iorque


A Disney está de volta. Parece improvável um filme destes conquistar-nos com tamanha eficácia, mas a