
Dificilmente se poderá achar um elenco mais talentoso, coeso e diversificado do que Martin Scorsese uniu para The Departed. Da dicotomia desesperante de Leonardo DiCaprio ao cinismo sofisticado de Matt Damon, passando pela exuberância maliciosa de Jack Nicholson, o encanto perturbador de Vera Farmiga e a escatologia desbocada de Mark Whalberg – sem falar de Martin Sheen, Alec Baldwin e Ray Winstone – é um conjunto de actores perfeito e que levam The Departed a um patamar superior de humanidade e realismo. Mas depois chega também Babel. Isento de “protagonistas” é um filme que resulta na plenitude e realidade das interpretações que o pontuam. Se é de ressalvar as presenças de Adriana Bazarra e a revelação estonteante de Rinko Kikuchi, há que também não esquecer a mais brilhante e comovida interpretação de Brad Pitt e as aparições não menos relevantes de Cate Blanchett e Gael Garcia Bernal, entre muitos outros.
Outros elencos: A Prairie Home Companion, Nobody Knows, 
Emmanuel Lubezki, também responsável pela direcção de fotografia de Children of Men, é um dos novos valores da área. Aliado à perfeição do detalhe e primor cinematográfico de Terrence Malick, Lubezki em The New World capta a luz de uma forma assombrosa, sem alguma vez recorrer à iluminação artificial e captando a realidade forma e imaginária de cada personagem e de cada local. Vemos uma perda de cor – uma mudança da vivacidade do verde para cores mais soturnas como o cinzento – à medida que Pocahontas perde a inocência e é corrompida pelo mundo moderno.
Outras fotografias: Brokeback Mountain e Babel, Miami Vice, Marie Antoinette e Munich
A presença da actriz chinesa nunca passou despercebida mas em Miami Vice atinge uma plenitude inesperada na forma como constrói, quase sozinha, uma narrativa secundária que acaba por dominar todas as sensações do filme. A união com Colin Farrell é tórrida, frágil e perigosa, e no olhar de Gong Li mora a percepção da delicadeza das emoções que surgem tão ferozmente e que acabam por se consumir nelas mesmas. Na sua arrebatadora e desnorteante presença vislumbramos também um espírito indomável que atribui à realidade visceral de Miami Vice uma beleza quase poética.
Outras actrizes: Scarlett Johansson (Match Point), Rinko Kikuchi (Babel), Adriana Bazarra (Babel), Maria Bello (A History of Violence), Bryce Dallas Howard ( Lady in the Water) e Vera Farmiga (The Departed)
Atribuir a palavra de memorável à interpretação de Jack Nicholson em The Departed é quase redundante. A união com Scorsese é perfeita em todos os sentidos e parece ter existido desde sempre, mesmo quando é a primeira vez que se encontram num filme. As duas realidades fundem-se nesta transfiguração do típico senhor do crime, que atinge proporções maiores que a própria vida. A sua transformação num avatar demoníaco e quase desumano é épica e relembra os velhos monstros da mitologia grega. Monstros que se alimentam de tudo aquilo que os rodeia, sugando a alma de todos para seguir em frente e sentir o poder aumentar infindavelmente.
Outros actores: Brad Pitt (


Outros actores: Leonardo DiCaprio (The Departed), Eric Bana (Munich), Romain Duris e Louis Garrel (Dans Paris), Paul Giammati (Lady in the Water) e David Strathairn (Good Night and Good Luck)
Outros argumentos: The Departed, Lady in the Water, Nobody Knows e Match Point
Outros realizadores: David Cronenberg, Ang Lee, Sofia Coppola, Michael Mann e Martin Scorsese
Estou 100% de acordo com a escolha do realizador do ano: polémica,
obviamente, face às inúmeras críticas negativas a "Lady in the water", mas
absolutamente justa, em minha opinião. Para ser sincero, estou-me nas
tintas para os críticos (sejam eles jornalistas ou espectadores); o
realmente me interessa é que Shyamalan continue a privilegiar-me com
"fracassos" como "The Village" e "Lady in the water"... Eu, cá por mim,
deixo as "obras da prima" para os críticos...
Cumprimentos cinéfilos
Olá José. Obrigado pelos comentários. A escolha do Shyamalan foi uma
díficil porque foi um ano com muito bons trabalhos de realização. Escolhi
esse porque também me canso um bocado das "críticas" dos "críticos" que
tendem a rejeitar tudo aquilo que não cai nos seus padrões de experiência
filimica quando para mim o cinema é exactamente o oposto.
Abraço