Com The Passion of the Christ, Mel Gibson realizou e produziu o mais rentável filme independente de sempre, depois de ver a sua distribuição recusada por várias produções. Num ponto (muito) baixo da sua figura pública, muitos temiam que Apocalypto fosse um total fracasso, mas conseguiu ser o filme mais visto no seu primeiro fim de semana de exibição. Ambição é algo que não parece não faltar a Gibson, enquanto empresário, não enquanto cineasta. É que apesar de mascarar os seus filmes com um toque de irreverência pontuado por ambientes físicos pouco explorados, não poderia ser mais fiel à Hollywood mais fugaz e ao seu padrão académico de contar uma história. Aqui apenas os últimos vinte minutos têm algum propósito narrativo e alguns minutos de cinema, na forma como um fugitivo dos sanguinários Maia tenta regressar a casa para salvar a sua família. Mas em todo o resto da sua duração Apocalypto é um filme perfeitamente vazio, apenas recheado de maquinações caducas e sem nunca tentar ser minimamente humano na sua abordagem, apenas despertando alguma convulsão pela inconsequência da violência demonstrada, tal como na obra anterior de Gibson. E, mais estranho do que tudo, é um filme que em certos momentos é inacreditavelmente “mal filmado”, especialmente no que toca a sequências com movimento, isentas de graciosidade e simplesmente indutoras de náuseas. Apocalypto pode ser mais um triunfo nas bilheteiras mas acaba por ser mais um objecto tremendamente falhado de um realizador que parece não querer justificar a promessa do cada vez mais longínquo Braveheart. 
Confirmam-se os meus receios. Ainda pensei em ver o filme (e, talvez, ainda
venha a ver) mas de cada vez que penso na Paixão de Cristo fico com
calafrios. Parece-me que Apocalytico é a versão Maia do anterior, mudou o
cenário e as premissas são exactamente as mesmas.
Eu nem cheguei a ver o filme anterior, 'A Paixão de Cristo'. Deste só tenho
lido desilusões.
Filme bastante violento, um prato cheio para quem aprecia o estilo. Tentei
assisti-lo até o final mas não consegui pois a repulsa foi maior do que a
curiosidade. Mel Gibson, mais uma vez, exageradamente apelou com seus já
costumeiros banhos de sangue nas telas.
O filme em si pode não estar bem conseguido, pois concordo em parte com a
tua opinião. Mas existem promenores fantásticos que apenas alguns conseguem
captar, como é o caso dos cortes em veias e artérias, onde o sangue jorra
aos poucos, tal e qual na realidade, coisa que, até agora, vi poucos a
fazerem. De resto, não desgostei do filme, não está assim tão mau como aqui
parece. Poderia, isso sim, ser mais curto.
Continua.