Os Americanos
No dia 6 de Junho de 1968 o senador Robert F. Kennedy, candidato presidencial e a grande esperança para um final da guerra no Vietname, é assassinado no Ambassador Hotel onde estava sedeada a sua campanha. Este filme realizado por Emilio Estevez centra-se nas várias personagens que povoavam o hotel nesse dia e, claramente (e confessamente) inspirado na narrativa mosaico de Robert Altman, é um inesperado prazer. Nem todas as personagens parecem ter alguma afinidade directa a Kennedy, mas todas gravitam para a sua filosofia e para o momento que se adivinha desde o inicio, momento em que todas elas se cruzam involuntariamente. A grande força do filme, um projecto pessoal de Estevez e filmado com o rigor imposto a ele mesmo, é definitivamente o grandioso elenco que o actor/realizador reuniu para Bobby. Todos eles são fundamentais para o enriquecimento individual das mais diversas histórias que aqui se encontram, com destaque para o desencanto de Sharon Stone enquanto cabeleira do hotel e esposa do gerente William H.Macy, que está a traí-la com uma mulher mais nova. Esta e Demi Moore, uma decadente cantora de salão, protagonizam uma magnifica e dolorosa cena sobre o envelhecimento. Também de ressalvar a utopia juvenil de Lindsay Lohan que pretende casar-se com Elijah Wood apenas para o salvar de ser colocado nas linhas da frente do Vietname e no lado oposto a necessidade de Anthony Hopkins, antigo empregado do hotel, de não abandonar o único local que conheceu toda a vida. Bobby, apesar de não ser nenhum objecto de pura originalidade, possui um conjunto de pequenas e comoventes histórias que convergem numa triste manifestação do sonho americano enquanto servem de analogia para os tempos modernos que os Estados Unidos vivem.
