Há quase oito anos, uma escritora do New Yorker, Annie Proulx, compôs uma história de amor pouco convencional de dois cowboys que inesperadamente se apaixonam enquanto tratam do gado numa montanha escarpada do Wyoming, apenas meses após o espancamento fatal de um jovem homossexual no mesmo estado americano. Depois de ganhar o Pullitzer muitos foram os cineastas, incluindo Gus Van Sant, que tentaram levar em frente a adaptação a cinema, mas falharam consecutivamente devido a recusas imediatas dos estúdios. Finalmente, Ang Lee toma mão do projecto depois de muitas partidas falsas e hoje é um dos mais aclamados e falados filmes dos últimos anos, detentor de incontáveis prémios, um sucesso fenomenal de bilheteiras até nos espaços mais conservadores e o candidato maior aos Óscares. 
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RottenTomatoes: 85% (COTC:90%) ; IMDB: 8.0/10
Era uma vez na América
" If you can't fix it, you gotta stand it "
A polémica é algo que normalmente auxilia a difusão de um filme, mas Brokeback Mountain parece prontamente recusar-se a entrar em controvérsias secundárias. A honestidade que comporta é forte o suficiente para desviar quaisquer escândalos que poderiam surgir e fê-lo de forma exemplar. Porque ao contrário do que o título em português possa subentender, o que o eleva é o facto de não se esconderem quaisquer segredos. Jamais enveredando por uma campanha panfletária, nunca ocultou as temáticas que aborda, assumindo-as logo ao inicio quando ainda o denominavam de “western gay”.
É em toda a verdade um western, na forma como nos apresenta as paisagens montanhosas contemplativas e absorventes – um trabalho fulgurante de Rodrigo Prieto – que envolvem as personagens e lhes dão alento físico e até emocional. Os escarpados picos do Wyoming, recheados de pinheiros verdejantes e ribeiros translúcidos, pontuados numa partitura inebriante de Gustavo Santaolalla que invoca o espírito profundo da América rural, parecem reflectir na sua epicidade as almas daqueles que se vêm confrontados com sentimentos inesperados. A naturalidade com que o romance evanesce é de uma genuinidade franca e pura, algo que raramente vemos nos dias de hoje a surgir de Hollywood. Talvez a sensibilidade característica de Ang Lee, aqui bebendo também da inspiração dos esquecidos clássicos melodramáticos, incuta a Brokeback Mountain um lirismo inesperado, onde os silêncios são mais denunciadores do que qualquer palavra que possa ser proferida.
Despedaçando todos os estereótipos de uma forma inata, Ang Lee constrói uma das mais belas e dilacerantes histórias de amor que o cinema já viu. Diz-se que as mais memoráveis estão assentes sobre uma irrevogável base de tragédia, e esta parece confirmar a regra. Incapazes de assumir a sua relação, Ennis Del Mar e Jack Twist, que se apaixonam em tenra idade, vivem as suas existências numa inocuidade acutilante, chegam a casar e a ter filhos, nunca conseguindo seguir em frente e alimentado-se de escapes fortuitos para o lugar onde tudo começou e que lhes serve de refúgio e alento, Brokeback Mountain. Apesar de insistentes tentativas de construir uma vida conjunta por parte de Jack, Ennis não consegue dar esse passo com medo de cair num abismo, não se apercebendo que o contrário irá proporcionar-lhe o mesmo fatal destino. A figura solitária e taciturna de Ennis Del Mar, uma interpretação histórica e surpreendente de Heath Ledger, que consegue evidenciar em pequenas subtilezas silenciosas todas as dimensões da sua personagem, é o motor de toda a história, um homem impotente aos seus próprios sentimentos. O extraordinário Jake Gyllenhaal, confirmando-se uma vez mais como um dos mais poderosos actores da sua geração, representa a mudança que espera eternamente acontecer.
Estas personagens e acompanhadas por um brilhante elenco secundário, do qual se destacam Michelle Williams, Kate Mara e Robert Maxwell - que lhes dá acrescida densidade - tornam-se imediatamente em inolvidáveis arquétipos das tortuosas extensões da alma humana. E ao reforçar que o amor é tudo menos convencional, Brokeback Mountain, apesar de trágico e agudo, é inspirador e inacreditavelmente comovente. É algo que nos assombra durante muito tempo, obrigando reflexões da própria condição do amor, que tantas vezes nunca chega a acontecer numa vida inteira. Será que quando enfrentados com algo tão arrebatador, o abraçamos ou o rejeitamos, com medo de algum dia sermos felizes e mantendo-nos no familiar mas cruel e solitário caminho para a morte, chorando todos os dias aquilo que podia ter sido.
Excelente análise. Concordo, é um excelente filme...dá que pensar :)!
Um filme que dura muito para lá do rolar dos créditos, faz-nos questionar
sobre a nossa própria identidade, sobre as máscaras que usamos para
enfrentar o mundo. É sem dúvida genial e as interpretações...you've said it
all ;)
Minha opinião:
http://movietvaddicted.blogspot.com/2006/02/crtica-brokeback-mountain.html
Um filme para a eternidade de todo o cinema. E cada vez mais estou
convencido disso.
Um dos melhores filmes de Ang Lee. Depois do desastre de Hulk, Lee volta em
grande. Lembro -me da poderosa representação de Tom Hanks em Philadelphia
de Jonathan Demme. e aqui a história repete-se com Ledger e Gyllenhaal. Um
filme soberbo, que tal como já foi dito aqui(e com razão dá para pensar.
um filme excelente, apaixonante,inesquecível.
um filme excelente, apaixonante,inesquecível.
um filme excelente, apaixonante,inesquecível.