
William Friedkin é reconhecido pelo seu trabalho nos anos 70 em The Exorcist e The French Connection mas desde então o seu talento tem vindo a desvanecer, apesar de nunca ter deixado de trabalhar em projectos de grande orçamento em Hollywood. Mas é um pequeno filme que volta a trazer o seu nome à ribalta. Filmado in location no estado do Louisiana, Bug relata a história de uma mulher isolada num quarto de motel a que chama de casa, sempre com medo do retorno do seu marido da prisão e atormentada por fantasmas do passado. Trabalha num bar e é lá que uma amiga a apresenta a um jovem que se encontra de passagem pela cidade e inesperadamente acabam por partilhar cumplicidades. É algo difícil categorizar Bug, uma obra que parece não cair dentro de nenhum género, embora seja rotulado de filme de terror. A claustrofobia daquele sujo quarto de hotel e a ascendente paranóia vão atingido o espectador intensamente e sem escape. Isento de convenções, esta adaptação de uma peça de teatro tem a capacidade de criar nas imagens uma sensação de desconforto e medo escalante, à medida que os protagonistas - brilhante interpretação de Michael Shannon e uma avassaladora Ashley Judd em estado de graça - se vão desintegrando emocionalmente em busca da verdade. O terror de Bug é tanto físico quanto psicológico, e não há fronteiras delimitadas para a realidade e a psicose, fundindo-se num cru e perturbador ensaio sobre o (in)voluntário condicionamento da mente humana. Um dos mais audaciosos filmes do ano.
