Michael Haneke é indubitavelmente um dos mais aclamados realizadores em França... prova disso é a sua constante presença no Festival de Cannes, onde já triunfou diversas vezes, incluindo a edição anterior com este Caché, vencedor do prémio do júri. Haneke, na realidade alemão e criado na Aústria – onde ainda lecciona na Universidade de Vienna, é reconhecido pela sua ousadia, na forma audaz como conta e expõe as suas histórias no grande ecrã. Le Pianiste foi exemplo disso (outro triunfo em Cannes) de uma compleição sexual impiedosa e perturbadora no retrato de uma mulher atónita com os seus próprios sentimentos. 
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RottenTomatoes: 89% (COTC:95%) ; IMDB: 7.6/10
Tudo a esconder
Em Caché, Haneke mostra-nos a história de um casal que começa misteriosamente a receber cassetes de vídeo cujas imagens mostram sem rodeios ou artifícios que estão a ser vigiados mesmo à porta de sua casa. E daí se constrói um enredo fulminante, de uma inquietude surpreendente e sem nunca nos devolver a respiração por um segundo que seja. O real terror sentido pelo casal, temendo a segurança deles próprios e do seu filho, é algo tremendamente poderoso sem nunca recorrer ao exagero ou ao pânico. Na verdade é este realismo inadulterado e a sobriedade dos intervenientes que nos faz mergulhar tão profundamente neste mistério.
E mais do que um simples thriller, Caché acaba por se revelar uma experiência psicológica intensa e desorientadora, suportada pela realização ardilosa de uma contenção arrasadora de Haneke, que novamente sabe e bem escolher os seus actores. Juliette Binoche é radiosa como sempre, mas é Daniel Auteuil sob quem caí todo o peso da narrativa que, mais cedo do que se pensa, começa a girar em torno de uma culpa antiga que o próprio nunca conseguiu desprezar. E nisso o actor é magnifico, na forma como esses sentimentos passados ressurgem tão violentamente e sem que ele os consiga exprimir.
No final, Caché é uma obra incrível sobre a natureza primordialmente oculta do ser humano e como tal condiciona o encobrimento dos acontecimentos mais desagradáveis de uma vida inteira, que só emergem quando são invocados mas que jamais se dissiparam. E depois de tantos anos escondidos voltam para assombrar aqueles que nunca conseguiram absolvição.
