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Filmes de 2005

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CACHÉ (2005) de Michael Haneke

posted Friday, 13 January 2006



Ver trailer
RottenTomatoes
: 89% (COTC:95%) ; IMDB: 7.6/10




Tudo a esconder


Michael Haneke é indubitavelmente um dos mais aclamados realizadores em França... prova disso é a sua constante presença no Festival de Cannes, onde já triunfou diversas vezes, incluindo a edição anterior com este Caché, vencedor do prémio do júri. Haneke, na realidade alemão e criado na Aústria – onde ainda lecciona na Universidade de Vienna, é reconhecido pela sua ousadia, na forma audaz como conta e expõe as suas histórias no grande ecrã. Le Pianiste foi exemplo disso (outro triunfo em Cannes) de uma compleição sexual impiedosa e perturbadora no retrato de uma mulher atónita com os seus próprios sentimentos.

Em Caché, Haneke mostra-nos a história de um casal que começa misteriosamente a receber cassetes de vídeo cujas imagens mostram sem rodeios ou artifícios que estão a ser vigiados mesmo à porta de sua casa. E daí se constrói um enredo fulminante, de uma inquietude surpreendente e sem nunca nos devolver a respiração por um segundo que seja. O real terror sentido pelo casal, temendo a segurança deles próprios e do seu filho, é algo tremendamente poderoso sem nunca recorrer ao exagero ou ao pânico. Na verdade é este realismo inadulterado e a sobriedade dos intervenientes que nos faz mergulhar tão profundamente neste mistério.

E mais do que um simples thriller, Caché acaba por se revelar uma experiência psicológica intensa e desorientadora, suportada pela realização ardilosa de uma contenção arrasadora de Haneke, que novamente sabe e bem escolher os seus actores. Juliette Binoche é radiosa como sempre, mas é Daniel Auteuil sob quem caí todo o peso da narrativa que, mais cedo do que se pensa, começa a girar em torno de uma culpa antiga que o próprio nunca conseguiu desprezar. E nisso o actor é magnifico, na forma como esses sentimentos passados ressurgem tão violentamente e sem que ele os consiga exprimir.

No final, Caché é uma obra incrível sobre a natureza primordialmente oculta do ser humano e como tal condiciona o encobrimento dos acontecimentos mais desagradáveis de uma vida inteira, que só emergem quando são invocados mas que jamais se dissiparam. E depois de tantos anos escondidos voltam para assombrar aqueles que nunca conseguiram absolvição.  

   


 







1. João left...
Saturday, 27 May 2006 6:17 pm

Impetuoso e áspero na composição da trama e personagens não faz concessões ao público, nem tampouco à filmografia contemporânea e suas técnicas de agradar a fim de angariar bilheteria com estratégias surradas e tantas vezes repetidas. O personagem de Daniel Auteiul revisita seu passado impregnado de lembranças que deseja esquecer mas que estarão sempre alí,aflorando a todo instante, não há refúgio possível. A suposta ameaça que vem do outro, fora dos limites da casa, na verdade está dentro dela provocando conflitos crescentes e incontroláveis.Especulação possível, quem sabe uma crítica velada à sociedade americana e sua obsessão em aniquilar o terrorismo, o inimigo externo,fechando os olhos para o seu próprio umbigo . Mais um belo filme do diretor.


2. Lizoel left...
Saturday, 1 July 2006 4:04 am

Uma lástima, um filme pretensioso, mal elaborado e que não chega a lugar nenhum. Enfim, uma masturbação imagética pra fazer críticos arrogantes e equivocados deleitarem os incautos com os termos elogiosos sobre essa besteira filmado em tecnologia digital. Uma bobagem sem precedentes!


3. frank left...
Saturday, 21 October 2006 7:17 pm

excelente filme, pena que algumas (milhares) pessoas nao conseguem enxergar o belo e quando o enxergam confundem com o futil. Que triste nossa sociedade.


4. Humberto left...
Saturday, 28 October 2006 1:43 am

Péssimo filme! Não assistam.


5. João left...
Wednesday, 10 January 2007 10:20 pm

Típico filme francês. Arrastado, longamente. Planos-seqüência intermináveis e sem sentido. E uma visão burguesa sobre um fato político importante para a França. Muita sugestão e pouca solução. Sem culpados, sem definições. Como se o massacre da França na Argélia na década de 60 ainda fosse um acontecimento onde não se sabe quem é o culpado. Bons tempos os de Funny Gammes.


6. João left...
Wednesday, 10 January 2007 10:21 pm

Típico filme francês. Arrastado, longamente. Planos-seqüência intermináveis e sem sentido. E uma visão burguesa sobre um fato político importante para a França. Muita sugestão e pouca solução. Sem culpados, sem definições. Como se o massacre da França na Argélia na década de 60 ainda fosse um acontecimento onde não se sabe quem é o culpado. Bons tempos os de Funny Gammes.


7. DELFIM left...
Wednesday, 17 January 2007 5:01 am

Acho que sou muito burro, pois até agora não entendi quem estava filmando a família o tempo todo e sequer o que representa o plano final do filme. Não posso nem criticar, pois realmente não entendi.


8. Pedro Sangirardi left...
Thursday, 19 April 2007 5:38 pm

Um filme genial, intertextual, de múltiplos significados e interpretações, um filme aberto, que compõe sua trama conjuntamente com o espectador. Uma toupeira comentou que o filme "apresenta apenas sugestões, e pouca defiinição", e essa mesma toupeira quer "culpados e definições"; parece até o Bush falando... ele devia assistir aos blockbusters americanos, cheios de culpados e definições, para se sentir menos tapado. O filme é cheio de sentidos. O Haneke não é burro, e sabe muito bem que se definisse um "culpado", aí sim o filme perderia o sentido. As pessoas são estúpidas e querem se sentir espertas. O que esse cara queria, uma cena final num tribunal, e um desfecho hollywoodiano????? Assistam e deliciem-se com esse belo filme de Michael Haneke. Possíveis candidatos a terem feito as filmagens: o árabe, o filho dele, o amigo da família (Pierre), ou o próprio filho do protagonista, Pierrot, que aparece numa frieza estranha o filme todo. Na cena final, é possível vê-lo conversando com o filho do árabe, o que abre as possibilidade deles terem articulado as filmagens. Ainda há, finalmente, a chance de ser qualquer telespectador do programa literário do apresentador que tivesse tomado conhecimento da história.