Reabastecimento
Depois de Finding Nemo e The Incredibles, dezenas de prémios entre o qual dois Óscares, a Pixar deixa um pouco o arrojo dos últimos filmes e deixa-se levar pela tradição. Tal é notável no regresso à realização de John Lasseter, responsável por Toy Story e A Bug’s Life. Em Cars a história revolve em torno de um mimado carro de corridas que, a caminho da Califórnia para a competição mais importante da sua vida, se perde e acaba por permanecer sob a custódia policial de uma pequena terriola no meio do deserto de nome Radiator Springs até reparar todos os danos materiais causados. Pouco habituado ao mundo normal resiste ao máximo aos carros simples da povoação até eles o conquistarem e mostrarem-lhe que a vida é mais do que fama e sucesso. Um conto simples e que recorre a uma fórmula já muito usada pela Pixar noutros contextos. E se o propósito de personificar um mundo de objectos inanimados como carros, cada um com uma personalidade bem vincada, é novamente revigorante também é verdade que este mecanismo já foi usado melhor e com mais inteligência pela Pixar no passado. No entanto é quase impossível resistir ao encanto inocente destas fábulas transfiguradas e recheadas de personagens que têm tanto de caricato quanto de afectuoso. E a benevolência acaba por não estragar nada, especialmente aliada à que continua a ser mais brilhante e esplendorosa animação do mercado. Ainda que seja uma das mais fracas obras da produtora, feita para saciar a paixão nascariana dos americanos e muito mais infantil que qualquer um dos objectos que anteriormente agraciaram os espectadores, Cars não deixa de ser um filme da Pixar. Aliás, é-o com “coração”. E o pior da Pixar é melhor que qualquer filme de outros estúdios. Chazing!
