
Marionetas
O fascínio de Zhang Yimou pelas histórias da China feudal sempre foram parte integrante do seu percurso enquanto cineasta e autor. A perspectiva feminina constituí normalmente o cerne das suas obras, com Gong Li como inspiração. Aliás desde o seu primeiro filme até ao final dos anos 90 a actriz foi protagonista de todos eles. Mas algo desastroso parece ter acontecido com o regresso da musa. The Curse of the Golden Flower, a mais cara produção chinesa até à data, leva-nos à Dinastia Tang e a um evento fatídico que tomou lugar no dia do anual festival dos crisântemos. A imperatriz encontra-se num estado de saúde precário enquanto borda obsessivamente crisântemos para as festividades, enquanto que o imperador recruta a presença dos seus três filhos, todos eles com segredos que os derrubariam caso fossem descobertos. Esta seria uma história propicia a uma grande e operática tragédia de proporções épicas mas dá-se algo inesperado: a exuberância da produção - dos cenários exageradíssimos e de quase tudo o resto - parece sobrepor-se a qualquer tipo de teor narrativo, que neste caso resume-se a uma abordagem novelesca, simplista e quase estereotipada do cinema chinês mais obsoleto. As cenas de acção são terrivelmente desinspiradas, os momentos dramáticos de fazer ranger os dentes, a banda sonora de uma atrocidade demente e nem a majestosa e sempre possante Gong Li parece conseguir escapar aos mecanismos redutores que acabam por abranger todos os aspectos artísticos do filme. A megalomania de Yimou nesta produção parece tê-lo desviado daquilo que sempre soube tão bem fazer, mesmo no último House of Flying Daggers, ou seja, envolver-nos nas suas histórias e criar um ponto de partida para um entendimento da cultura ancestral chinesa, como fez em obras-primas do cinema oriental como Raising the Red Lantern e Hero. Aqui as suas personagens, normalmente grandiosas e trágicas, são marionetas inconsequentes de um propósito maniqueísta que arruína toda a experiência do filme. Uma das grandes desilusões dos últimos anos. 
1,2,3 experiencia, só p ver se consigo postar comentarios na nova versão
desta chafarica... perdão, deste blogue de referência ;)
Haha bela palavra essa: chafarica. Só faltam mesmo os torresmos e o vinho
tinto.