A arte de Matthew Barney sempre foi divisora. No entanto aquele que é aclamado pelo New York Times como um dos mais importantes artistas contemporâneos da sua geração acabou por transfigurar o rosto do cinema experimental com o seu badalado ciclo Cremaster, uma série de bizarras odes à sua própria condição humana, apelidada de pretensão egocêntrica por uns e de brilhante desconstrução daquilo que nos constitui interna e externamente. 
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RottenTomatoes: 45% (COTC:50%) ; IMDB: 6.8/10
Rituais arcanos
Em Drawing Restraint 9, Barney parte para novos territórios, desta vez de mão dada com a sua esposa, também ela uma das mais importantes artistas contemporâneas, Björk. Nesta longa-metragem abandona o universo Cremaster e explora os rituais da tradição japonesa de integração na Natureza, numa altura em que é necessário reavaliar esses valores e adaptá-los a uma nova era de progresso industrial e económico. O Japão pode ser simbolizado pelo navio Nisshin Maru, outrora uma baleeiro, que leva em viagem dois convidados muito especiais. No deque é edificada uma estrutura recipiente de um líquido volátil originário de um cetáceo, que se vai tornando cada vez mais espesso ao longo da viagem.
Este produto, juntamente com um artefacto recuperado no mar, contém a essência que permitirá a transformação dos dois convidados, mais propriamente de Barney e Björk, que numa série de rituais se casam, enquanto são inundados pelo âmbar do convés durante uma tempestade e começa assim a metamorfose de ambos, que através de uma série de cortes corporais e carícias se vão lentamente transformando no primórdio animal que possibilitou a mutação. A cerimónia é bela, erótica e perturbadora, símbolo atemporal do confronto entre o antigo e o moderno e a necessidade de encontrar um eixo com a Natureza, de modo a possibilitar uma vida plena e não automatizada.
O facto de nenhum dos noivos ser japonês é ainda mais relevante, talvez expressando a isenção de julgamento e aceitação de todos aqueles que se pretendem regenerar. Também pode ser contemplada em segundo plano, uma contida e emanante história de amor, pautada por uma banda sonora igualmente transcendente da autoria de Björk, que aqui cruzou diversos instrumentos tradicionais japoneses e também de vocalizações etéreas com a carnal produção electrónica que lhe é característica, reforçando assim a temática principal do filme.
No final Drawing Restraint 9 é muito mais do que mero deslumbramento estético – algo que Barney concretiza como ninguém – e sim uma reinterpretação de mitos e celebrações centenárias que se preparam para encontrar o século XXI de braços abertos e acima de tudo esperando cada vez mais a esquecida conciliação com os antepassados e com a própria Terra.


podes-me dizer se este filme está no circuito comercial de cinema ou pode
ser enconrado onde?
obrigado
Está em exibição nos cinemas King em Lisboa. Espero que tenhas oportunidade
de o ver :)
tive a oportunidade de ver os cremasters...um regalo para os sentidos! como
sou do porto espero q este venha para cá. abraço.
Eu devo ser um calhau com olhos, mas o que eu tenho a dizer é: fujam disto
a sete pés... Que monte de merda forrada a pseudo intelectualismo...
(perdoem-me o francês)