
Da luz e das trevas
O mexicano Guillermo del Toro é um realizador de culto responsável por obras do fantástico como El Espinazo del Diablo, Blade 2 e Hellboy, daí não ser surpresa ter sido presenteado com o grande prémio deste ano do festival Fantasporto. Surpreendente é no entanto a aclamação de Hollywood e a série de Óscares ganhos há pouco mais de uma semana. El Laberinto del Fauno é a história de uma jovem espanhola que, no inicio da ditadura de Franco, viaja com a mãe grávida para a casa de campo do seu novo padrasto, um capitão do novo regime. Sonhadora e imaginativa descobre um labirinto abandonado nas redondezas do velho casebre e é confrontada por uma mística criatura que lhe diz que ela própria é a princesa perdida dos reinos subterrâneos.
Esta obra surpreendente, de produção espanhola e mexicana, retém o que de melhor se faz no género, num filme que naturalmente acaba por fundir os dois mundos, o real e o imaginário. Às tantas o mundo real, de tal forma pérfido e diabólico, acaba por se misturar com o misterioso plano da fantasia, sobrepondo-se ao mesmo, sendo a jovem Ofelia a única chave da separação (e simultaneamente da união) entre ambos. Mas não se pense que El Laberinto del Fauno é um ternurento conto infantil... pelo contrário, trata-se de uma fábula perversa cuja inocência da protagonista é manchada por elementos demoníacos de ambos os universos que habita, mas a qual ela luta por manter.
Sem dúvida a melhor obra assinada por Guillermo del Toro até agora, esta história infantil para adultos, é uma mistura de diversos géneros e influências, sendo a mais óbvia a do horror, na sua definição mais ampla e abrangente. As ambiências aqui criadas são únicas – uma caracterização e produção artística exemplares e dignas do que melhor se faz pelo mundo fora – e a narrativa encenada de uma imaginação e grandiosidade dramática inesperadas. Neste mundo vivem faunos e fadas, mas o que se torna central em El Laberinto del Fauno é a capacidade infantil do ser humano de se refugiar do hediondo e hostil mundo real em algo que, apesar de não menos assustador, deixa margem para um vislumbre de esperança. Esperança essa que nos faz viver mais um dia.


Apesar da minha ignorânica cinematográfica eu vi esse filme!!weeee:D e
gostei imenso. O final, para mim, é fantástico e apesar de tudo, feliz e
reconfortante. Concordo contigo quanto ao tema central do filme. Todos nós,
à sua maneira e com diferentes intensidades nos refugiamos das desilusões e
terrores do mundo real no nosso pequeno mundo.
Até ver, O Labirinto do Fauno é o melhor filme do ano! Grande del Toro, que
finalmente me conquistou por completo...
Depois de certas críticas que li e ouvi por aí fiquei muito céptica em
relação a este filme. Mas resolvi seguir o teu conselho e lá fui eu.
Concluí que devem existir dois "Labirintos" em exibição. Um, aquela coisa
horrível, manipuladora, redutora, pretensa fantasia de quinta categoria,
etc., que alguns descrevem. Outro, a fábula surpreendente que eu, tu e
outros viram.
Depois de certas críticas que li e ouvi por aí fiquei muito céptica em
relação a este filme. Mas resolvi seguir o teu conselho e lá fui eu.
Concluí que devem existir dois "Labirintos" em exibição. Um, aquela coisa
horrível, manipuladora, redutora, pretensa fantasia de quinta categoria,
etc., que alguns descrevem. Outro, a fábula surpreendente que eu, tu e
outros viram.