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Filmes de 2005

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EL LABERINTO DEL FAUNO (2006) de Guillermo Del Toro

posted Monday, 5 March 2007






Da luz e das trevas



O mexicano Guillermo del Toro é um realizador de culto responsável por obras do fantástico como El Espinazo del Diablo, Blade 2 e Hellboy, daí não ser surpresa ter sido presenteado com o grande prémio deste ano do festival Fantasporto. Surpreendente é no entanto a aclamação de Hollywood e a série de Óscares ganhos há pouco mais de uma semana. El Laberinto del Fauno é a história de uma jovem espanhola que, no inicio da ditadura de Franco, viaja com a mãe grávida para a casa de campo do seu novo padrasto, um capitão do novo regime. Sonhadora e imaginativa descobre um labirinto abandonado nas redondezas do velho casebre e é confrontada por uma mística criatura que lhe diz que ela própria é a princesa perdida dos reinos subterrâneos.

Esta obra surpreendente, de produção espanhola e mexicana, retém o que de melhor se faz no género, num filme que naturalmente acaba por fundir os dois mundos, o real e o imaginário. Às tantas o mundo real, de tal forma pérfido e diabólico, acaba por se misturar com o misterioso plano da fantasia, sobrepondo-se ao mesmo, sendo a jovem Ofelia a única chave da separação (e simultaneamente da união) entre ambos. Mas não se pense que El Laberinto del Fauno é um ternurento conto infantil... pelo contrário, trata-se de uma fábula perversa cuja inocência da protagonista é manchada por elementos demoníacos de ambos os universos que habita, mas a qual ela luta por manter.

Sem dúvida a melhor obra assinada por Guillermo del Toro até agora, esta história infantil para adultos, é uma mistura de diversos géneros e influências, sendo a mais óbvia a do horror, na sua definição mais ampla e abrangente. As ambiências aqui criadas são únicas – uma caracterização e produção artística exemplares e dignas do que melhor se faz pelo mundo fora – e a narrativa encenada de uma imaginação e grandiosidade dramática inesperadas. Neste mundo vivem faunos e fadas, mas o que se torna central em El Laberinto del Fauno é a capacidade infantil do ser humano de se refugiar do hediondo e hostil mundo real em algo que, apesar de não menos assustador, deixa margem para um vislumbre de esperança. Esperança essa que nos faz viver mais um dia.










1. Pena, Ana Pena left...
Monday, 5 March 2007 11:31 pm

Apesar da minha ignorânica cinematográfica eu vi esse filme!!weeee:D e gostei imenso. O final, para mim, é fantástico e apesar de tudo, feliz e reconfortante. Concordo contigo quanto ao tema central do filme. Todos nós, à sua maneira e com diferentes intensidades nos refugiamos das desilusões e terrores do mundo real no nosso pequeno mundo.


2. Paulo Costa left...
Wednesday, 7 March 2007 12:16 am :: http://www.cinept.blogspot.com

Até ver, O Labirinto do Fauno é o melhor filme do ano! Grande del Toro, que finalmente me conquistou por completo...


3. Ana Paula left...
Saturday, 10 March 2007 3:28 pm

Depois de certas críticas que li e ouvi por aí fiquei muito céptica em relação a este filme. Mas resolvi seguir o teu conselho e lá fui eu. Concluí que devem existir dois "Labirintos" em exibição. Um, aquela coisa horrível, manipuladora, redutora, pretensa fantasia de quinta categoria, etc., que alguns descrevem. Outro, a fábula surpreendente que eu, tu e outros viram.

O que eu vi não tem nada a ver com franquistas maus e oprimidos bonzinhos. Na realidade, quando este se confrontam a crueza e a ausência de misericórdia são as mesmas dos dois lados. O que eu vi foi (vou roubar-te a frase) a eterna oposição entre a luz e as trevas. A luz apenas tangível num mundo imaginário e as trevas a própria realidade, que inclui os supostos maus e os supostos bons.

O caminho que nos conduz àquilo que procuramos ou desejamos não é fácil de escolher até porque nem sempre é nítido. A fronteira está lá, mas se de uma lado estão a esperança e a redenção, do outro estão as tentações que (como rezam as fábulas) são a porta de entrada no mundo das trevas. Sobra ainda um pequeno (grande) espaço para a dúvida no momento das decisões que nos farão cair de um lado ou do outro. E se este caminhar "no arame" nos mantém presos à cadeira e ao ecrã durante todo o filme, a ambiência criada transporta-nos a esse labirinto que, de algum modo, existe dentro de cada um de nós e que, em muitas das suas inflexões, nos faz sentir realmente MEDO.

Da minha parte também 4* inteiramente merecidas


4. Ana Paula left...
Saturday, 10 March 2007 3:30 pm

Depois de certas críticas que li e ouvi por aí fiquei muito céptica em relação a este filme. Mas resolvi seguir o teu conselho e lá fui eu. Concluí que devem existir dois "Labirintos" em exibição. Um, aquela coisa horrível, manipuladora, redutora, pretensa fantasia de quinta categoria, etc., que alguns descrevem. Outro, a fábula surpreendente que eu, tu e outros viram.

O que eu vi não tem nada a ver com franquistas maus e oprimidos bonzinhos. Na realidade, quando este se confrontam a crueza e a ausência de misericórdia são as mesmas dos dois lados. O que eu vi foi (vou roubar-te a frase) a eterna oposição entre a luz e as trevas. A luz apenas tangível num mundo imaginário e as trevas a própria realidade, que inclui os supostos maus e os supostos bons.

O caminho que nos conduz àquilo que procuramos ou desejamos não é fácil de escolher até porque nem sempre é nítido. A fronteira está lá, mas se de uma lado estão a esperança e a redenção, do outro estão as tentações que (como rezam as fábulas) são a porta de entrada no mundo das trevas. Sobra ainda um pequeno (grande) espaço para a dúvida no momento das decisões que nos farão cair de um lado ou do outro. E se este caminhar "no arame" nos mantém presos à cadeira e ao ecrã durante todo o filme, a ambiência criada transporta-nos a esse labirinto que, de algum modo, existe dentro de cada um de nós e que, em muitas das suas inflexões, nos faz sentir realmente MEDO.

Da minha parte também 4* inteiramente merecidas.