Untitled
A fotografia de Diane Arbus revolucionou o mundo das artes quando esta esposa de um famoso fotografo e proveniente de uma família rica, decidiu mostrar aquilo que os seus olhos viam. Seduzida pela normalidade do peculiar, dedicou o resto da sua vida a tentar capturar pedaços de uma América escondida, imortalizada nos seus singulares retratos. Esta obra de Steven Shainberg é um ensaio... ou melhor, um tributo à mente e imaginação de Arbus, apenas baseado na realidade que despertou a insaciável sede de descoberta da artista. Aqui esse renascimento toma a forma de um novo e estranho vizinho, que se muda para o último andar do prédio de Diane, numa altura em que a própria não consegue mais viver na sombra do marido e dos pais. Dominada e domesticada durante grande parte da sua vida decide, pela primeira vez desde criança, deixar que o mundo que vive dentro dela seja captado por breves momentos fotográficos. Shainberg, que se deu a conhecer com o conto de fadas sado-masoquista Secretary, torna a criar ambientes muito peculiares e bizarros, aqui frutos da inspiração de uma artista que lentamente vai descobrindo o que corre debaixo da sua pele e daqueles que a rodeiam. Uma interpretação gloriosa de Nicole Kidman que, totalmente imersa no papel, permite-nos ver pelos olhos de Diane Arbus, com a bravura contida e vulnerável que só a actriz parece conseguir conjurar, como se nela vivesse um tumulto voraz que luta para eviscerar a prisão do corpo. Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus, só peca por ser um objecto demasiado pessoal, como uma obra de arte ainda inacabada, e afastar o espectador emocionalmente um pouco para o final do filme, ainda que a comoção sóbria de Kidman nunca nos largue. Apesar destes “defeitos” a visita à mente de Arbus é fascinante e tão peculiar quanto os segredos contidos nos seus retratos.

Sublime! Uma das produções que mais me surpreendeu até agora. Nicole Kidman
está cada vez mais fantástica. Fiquei tão obcecado com a fotógrafa que
tenho baixado material dela pela internet para conhecer mais do seu
trabalho. (http://claque-te.blogspot.com): O Último Rei da Escócia, de
Kevin Macdonald.