Estado de Sítio Os últimos filmes de Spike Lee têm sido de qualidade variável. Da excelência de 25th Hour à mediocridade de She Hate Me, pode-se dizer que as contribuições de Lee para este novo milénio de cinema têm sido tremendamente variáveis. Inside Man traz algum equilíbrio à situação, retratando um polícia pouco convencional encarregado de negociar com um criminoso que assaltou um banco e detém um número indeterminado de reféns. Mas nada é o esperado e este thriller acaba por singrar na inteligência do seu argumento, que nunca aponta para uma solução óbvia e, sem recorrer a nauseabundos, twists consegue manter sempre o espectador numa incerteza sagaz. O próprio assaltante parece quebrar todos os estandartes de um roubo daquelas dimensões, extremamente difícil de ler até para um profissional do nível do protagonista. Denzel Washington joga com tenacidade o papel do negociador invulgar e Clive Owen é ardiloso na forma como mantém as motivações da sua personagem sempre na penumbra, mesmo quando tudo parece estar a chegar ao fim. No meio entra a classe de Jodie Foster num pequeno mas fulgurante papel de alguém que soluciona problemas com uma precisão tão cirúrgica quanto corrompida, o cada vez mais notável Chiwetel Ejiofor enquanto braço direito do detective e mais uns quantos nomes de peso como Willem Dafoe e Christopher Plummer para dar ainda mais brilho a um elenco já muito imaculado. Mas é o próprio tom do filme que foge da vulgaridade do filme, não temendo algumas incursões estilísticas inesperadas, com a assinatura de Spike Lee, especialmente na forma como quase silenciosamente recorda alguns tabus sociais. Sem chegar a atingir a genialidade, Inside Man é um filme que não deixará ninguém insatisfeito e proporcionará duas horas de cinema de entretenimento inteligente e preciso.

