A génese dos filmes de guerra é quase tão antiga quanto o próprio cinema. Desde muito cedo os cineastas inspiraram-se nos terrores e agruras bélicas, na altura retratando as primeiras grandes guerras... Paths of Glory, La Grande Illusion e mais recentemente The Pianist e Schindler’s List. A lista no entanto é infindável, especialmente desde os anos 70 e a Guerra do Vietname que serviu inspiração aos realizadores norte-americanos, verdadeiros revolucionários, durante anos e anos, da qual Apocalypse Now é o mais perfeito exemplo. O fascínio por estas histórias é tão forte quanto a própria ideia de servir uma pátria e, em inúmeros ciclos temporais, acaba por servir como uma reflexão sobre o próprio conceito de guerra, ainda que fugazmente. 
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RottenTomatoes: 59% (COTC:53%) ; IMDB: 7.3/10
A vida de um soldado
"Whatever else he may do with his life-build a house, love a woman, change his son's diaper-he will always be a jarhead. And all the jarheads killing and dying, they will always be me. We are still in the desert "
Jarhead acompanha a viagem de um soldado norte-americano que se voluntariou, tal como tantos outros jovens em busca de um futuro mais digno, e pouco depois de se ter alistado é enviado para uma campanha que viria a ser a Operação Tempestade do Deserto durante a Guerra do Golfo no inicio dos anos 90. Sam Mendes, o realizador de American Beauty e Road to Perdition, tenta logo de início estabelecer o cerne de toda a narrativa na figura individual do soldado, no modo como se relaciona com os seus companheiros sem nunca recorrer a estereótipos ou a artifícios dramáticos flagrantemente falsos, querendo recriar – por vezes flagrantemente – a ironia incisiva de Full Metal Jacket.
Infelizmente, tal visão nunca chega a transparecer nesta abordagem algo fria e distanciada da vida em guerra. Tenta sempre manter-se imparcial e deixar o próprio espectador chegar às devidas conclusões, apenas para descobrir que tais aferições já estavam bem patentes e cimentadas, sem alguma vez colocar uma questão pertinente que permita um desenvolvimento das ideologias pessoais. O argumento é algo deambulatório e episódio, nunca havendo grande coerência entre os acontecimentos cronologicamente dispostos e não dando grande atenção à caracterização dramática de cada soldado, limitando-se a caracterizar em narração activa os pensamentos do protagonista, Jake Gyllenhaal, que apesar da incongruência apática da realização e acima de tudo do argumento, consegue dar uma notável força vital àquela personagem, novamente provando ser um dos grandes valores do cinema norte-americano, mais que provável candidato ao Óscar pelo já muito aclamado e premiado Brokeback Mountain.
Outro valor, Peter Sarsgaard, acaba por ser esquecido, ainda que lhe seja permitida uma cena memorável. E justiça seja feita, Jarhead tem uma mão cheia delas. Sam Mendes não sabe concretizar a história em si, mas o seu talento para a encenação visual é louvável e com o auxilio da fotografia estonteante de Roger Deakins, consegue criar uma quantas imagens que o espectador tão depressa não irá esquecer. A passagem pelos poços de petróleo em chamas, criando um breu infernal aterrador, é especialmente marcante. No entanto o filme não consegue ser mais do que isto: um conjunto de momentos dispersos de inegável valor cinematográfico mas que no final não chegam para elevá-lo do conteúdo algo inócuo do argumento. Na guerra, mesmo em cinema, há que escolher um lado, mesmo que isso seja algo pernicioso.
