Junebug é outro filme do circuito independente americano a fazer uma modesta, mas significativa, aparição nos Óscares, uma pequena e invulgar pérola sobre a vida em família. E a abordagem é logo à partida muito peculiar atribuindo-lhe uma série de silêncios e lacunas que acabam porRegresso a casa
caracterizar qualquer núcleo familiar e tal surpresa traz um estranho nível de desconforto por ser demasiado genuíno. Aqui uma jovem, educada e recém-casada viaja à Carolina do Norte para tentar convencer um pintor local em expor as suas obras na galeria que possui e acaba por insistir um desvio para conhecer a família do marido: um pai taciturno, uma mãe algo sentenciadora, um irmão ressentido e uma cunhada grávida. Esta última é interpretada por Amy Adams, e apesar de todo o elenco ser de uma coerência fundamental, é esta doce e extrovertida jovem que acaba por conquistar o coração de todos, de uma curiosidade indomável e um poço de sonhos por concretizar. Nomeada ao Óscar é uma autêntica lufada de ar fresco e juvenil – parece nunca ter abandonado a infância onde se esconde dos problemas com o marido e assim transborda felicidade suprema - naturalmente hilariante e igualmente comovente. A transparência de Adams é contrastante com o ambiente da própria família, que parece guardar dissabores passados demasiado dolorosos para serem esquecidos ainda que nunca expostos. Todas as famílias têm os seus segredos, segredos que marcam toda uma vida.
