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Filmes de 2005

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LADY IN THE WATER (2006) de M.Night Shyamalan

posted Thursday, 28 September 2006




Sinais...



Existem por vezes, apenas por vezes, momentos em que o cinema nos acorda de forma inesperada, em que a beleza de uma história e da forma como ela é contada nos deixa plenamente arrebatados e com a sensação, ilógica ou não, de que nos engrandecemos de forma transcendental. Lady in the Water não seria de todo um desses filmes. Pelo menos a julgar pela recepção que teve não só da crítica e do público americano como também alguma animosidade aleatoriamente espalhada deste lado do oceano. Pretencioso, desprovido de sentido, rídiculo, falhado foram alguns dos adjectivos mais “amáveis” utilizados para descrever o filme. A ironia, e sem querer ser vidente e/ou pedante, é que daqui a alguns ou muitos anos esta será uma obra que não deixará tanta margem para divisões.  Mas antes disso falta contar a história...



Era uma vez um homem cuja função era tratar da manutenção de um pequeno condomínio numa qualquer pequena ou grande cidade americana. Vivia os seus dias a ouvir as queixas dos variados e tão mundanamente bizarros inquilinos e a tentar concertar todos os tipos de problemas que surgiam, desprovido de uma vida pessoal e escondendo uma bagagem sentimental tremenda. Uma noite repara em movimentos estranhos na piscina e ao investigar depara-se com uma jovem rapariga, pálida e misteriosa, que mais tarde descobre tratar-se de uma criatura de um mundo “imaginário”.

Primeiro de tudo, a forma como se funde o mundo real com este lado mitológico que habita sob a superfície é um ode a M. Night Shyamalan, cada vez mais um poeta rejeitado pelo seu próprio tempo, e às suas capacidades filmicas. Com uma certeza cada ver mais forte surge uma assinatura - aqui auxiliada pela sumptuosa e faustosa fotografia de Christopher Doyle e das mais tocantes e belas das partituras de James Newton Howard - uma forma de distinção de todos os outros objectos de cinema, principalmente neste filme, um testemunho pessoal e honesto, como se estivesse a canalizar nesta história tudo aquilo que o constitui enquanto ser humano. É que Shyamalan é acima de tudo, um contador de histórias e esta parece ser um primor não só de escrita como da sua transposição para o ecrã.



Mergulhamos de imediato no quotidiano de Cleveland Heep e sem nos apercebermos somos sugados para este conto de embalar como se de crianças de 5 anos nos tratássemos. E ao baixarmos todas as defesas somos envolvidos numa história tão transcendente que é quase um acto de fé. Sim, é verdade que Lady in the Water possui elementos do fantástico, não fosse a co-protagonista uma narfa marinha, uma espécie de ninfa interpretada por uma extasiante Bryce Dallas Howard, etérea e com o peso de dois mundos nas costas, que terá de recrutar a ajuda de guardiões e curandeiros para se proteger de um monstro sanguinário que a atacará no mais breve momento de descuido e também para encontrar o seu “caminho” para “casa”. Esta mitologia é muito rica e densa mas não é de todo invasiva. Aliás, apenas sabemos o necessário e tudo permanece envolto no mesmo véu de mistério e deslumbramento que tinha à partida. Mas graças à intervenção de Shyamalan ele torna-se tão palpável quanto o mundo real e estes fundem-se de modo surpreendente.

Ele envolve personagens humanas, pessoas normais, comuns, meros habitantes de um vulgar prédio mas únicas, especiais e deixa que a Humanidade nelas viva para tentar salvar esta estranha criatura e, desta forma, a elas mesmas. Todos têm um papel crucial em tudo o que se passa, à medida que as ligações, mesmo aquelas que se quebram, se fortificam para revelar uma essência superior. E ninguém é mais humano que Cleveland, uma interpretação monumental de Paul Giammatti, que tão facilmente nos leva à gargalhada mais genuína como nos arrebata com a mais pura das confissões. No final de contas, este filme de fantasia acaba por ser mais sobre o reconhecimento da Humanidade e da sua unicidade em todos aqueles que nos rodeiam e que dada a inerente desatenção dos tempos que vivemos, tão facilmente ignoramos e simplificamos. Uma experiência transformadora... como às vezes o cinema consegue ser.










1. senno left...
Thursday, 28 September 2006 12:19 pm :: http://s7tima-arte.blogspot.com

Ainda não tive oportunidade de o ver. Mas talvez o veja numa sala próxima. Quanto à banda-sonora de James Newton Howard pelo que já ouvi parece ser excelente. Escolhes sempre a música acertada. =) Cumprimentos cinéfilos.


2. Alguém que esteve lá left...
Friday, 29 September 2006 12:45 pm

Duvido que seja tão bom quanto o Snakes on a Plane


3. Alguém que esteve lá left...
Friday, 29 September 2006 12:46 pm

Duvido que seja tão bom quanto o Snakes on a Plane


4. nirkynuts left...
Saturday, 30 September 2006 1:57 am

Hey! Não quero ser má, nem nada que se pareça, e podes até recusar este comentário, visto que eu não sabia como contactar contigo sem ser por esta forma... Era só para avisar que agora (espero que o problema não seja do meu PC idiota!=P), a homepage do teu blog está muito larga. Não sei muito bem como explicar, mas a modos que, para se conseguir ler os teus textos e ver a barra lateral onde estão os links para todas as tuas críticas, é preciso andar 'quilómetros' para o lado, o que dificulta bastante a navegabilidade e a própria essência do teu texto se vai perdendo enquanto se anda para trás e para diante...=/ Dantes não era assim, não sei porque mudou... Seja como for, era só para deixar o meu aviso registado, pronto, já que o teu blog de cinema continua a ser o meu preferido. :)

Cumprimentos.


5. Nuno Gonçalves left...
Saturday, 30 September 2006 3:08 am

olá nirkynuts! obrigado pelo aviso. já és a segunda pessoa que me diz isso por isso creio que será mesmo algum problema da blog-city. Deve ter a ver com a resolução que se tem no ecrã. Eu se calhar não noto porque tenho-a muito alta. Mas vou investigar e agradeço teres dito isso, assim sei que está alguma coisa mal e tentarei resolver. Cumprimentos


6. Nuno Gonçalves left...
Monday, 2 October 2006 6:15 pm

Penso que consegui resolver o problema. Está tudo ok agora? :)


7. nirkynuts left...
Tuesday, 3 October 2006 12:22 pm

Já está óptimo!=) Obrigada por teres sido tão atencioso!;)

P.S- A season3 de Lost está aí à porta... eheheh Creio que também és fã. :)


8. Salamancalife left...
Monday, 9 October 2006 3:18 pm :: http://www.priscila.blog-city.com

Hello

É impressão minha ou há um micro suspenso em quase 1/4 do filme? Acho q o Shyalaman n primou pelo rigor de realização que já nos tinha habituado. Quanto ao filme... não é mau.. 4 estrelas


9. pedro duarte left...
Monday, 9 October 2006 11:01 pm :: http://www.blogger.com/profile/8504305

Parabéns pela excelente descrição. Muito boa escolha de fotografias do filme!


10. Paulo Costa left...
Tuesday, 17 October 2006 10:07 am :: http://www.cinept.blogspot.com

Os micros suspensos nada têm a ver com a realização, mas sim com a projecção. Se se viram microfones nessa sessão, foi porque provavelmente o projeccionista estava a dormir.

E by the way, este é dos melhores filmes do ano :-D


11. nirkynuts left...
Tuesday, 24 October 2006 6:51 pm

Adorei o filme! Se esquecermos a surrealidade e entrarmos no mundo dos contos de embalar, é simplesmente lindo! M. Night Shyamalan volta a subir na minha consideração. =P


12. Francisco Trindade left...
Monday, 6 November 2006 12:21 am

Essa é que é a grande questão: "entrarmos no mundo dos contos de embalar" Eu já saí de lá há muito. Nem as cantigas de embalar dos governos me convencem...

"somos sugados para este conto de embalar como se de crianças de 5 anos nos tratássemos" Trata-se portanto de um filme de crianças. Ok, está tudo esclarecido.E isso é que é importante.

Francisco Trindade


13. Marcelo left...
Monday, 5 March 2007 10:36 pm

Saudações do Brasil a todos! Primeiro: Não escrevo errado. Esse é o meu português :)

O filme me fez sentir diferente. E, já faz muito tempo que um filme não faz isso comigo.

Quando eu era criança, eu acreditava em acreditar. Eu achava que se eu realmente acreditasse que algo era verdade, isso então assim seria. Mas o mundo me convenceu do contrário, me fez "crescer" e deixar de acreditar nas minhas "ilusões" inclusive em que eu era especial. Esse filme me traz algo de volta, algo de bom que eu esqueci a muito tempo, "Acreditar em acreditar" como as crianças fazem antes de se tornarem adultos prácticos.

A estória do filme se passa no que poderia ser o terreno mais estéril para qualquer fantasia de côntos de fadas, um condomínio igual ao meu (móro nos EUA). É interessante ver que a mágica está inerte em cada ser humano, essa mágica de acreditar. No filme, você vê pessoas se tornando personagens de cônto de fadas. E o mais interresante, isso acontece porque eles acreditam em acreditar.

O filme é fantástico! Porque ele toca em algo muito, mas muito especial. Não me importo com o que a crítica diz.

...Aliás o crítico do filme tem um fim trágico :)


14. José Couto left...
Saturday, 14 April 2007 8:35 pm

Sobre o filme, apenas uma palavra: Belíssimo!


15. Pedro Duarte left...
Saturday, 21 April 2007 12:48 am :: http://www.blogger.com/profile/8504305

Fotografías extraordinárias de um filme de outro mundo. Obrigado "Night".


16. Pedro Duarte left...
Saturday, 21 April 2007 10:21 am :: http://www.blogger.com/profile/8504305

E "crítica" muito bem escrita (ontem já estava cansado, não deu para ler :) )


17. elaine rosa teixeira left...
Sunday, 21 October 2007 1:55 am

Esta maravilhosa metáfora mostra-nos dolorosamente que somente saberemos quem somos quando descobrirmos nossas sombras e a lavarmos nas aguas de nosso entendimento.


18. Amazonca left...
Wednesday, 16 July 2008 4:56 pm :: http://www.cigbrands.com/

Amazing and fantastic film, from the category MUST SEE EVERYONE! signature: “I like to drink coffee and smoking cigarettes before bed. I dream faster.” (c) Steven Wright: Coffee and cigarettes