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Filmes de 2005

LastFM

MUNICH (2005) de Steven Spielberg

posted Thursday, 2 February 2006



Ver trailer

RottenTomatoes
: 78% (COTC:59%) ; IMDB: 7.9/10 



Lembrar Munique
"All of this blood comes back to us"


4 de Setembro de 1972. Em plena aldeia olímpica onze membros da comitiva israelita são feitos reféns no seu quarto pelo grupo terrorista palestiniano Setembro Negro. Menos de vinte e quatro horas depois, todos os reféns foram brutalmente assassinados e os terroristas que os mantinham cativos acabam também por sucumbir à polícia alemã, à excepção de três dos intervenientes. Foi considerado o primeiro grande ataque terrorista dos nossos tempos e as suas consequências mudaram, literalmente, o mundo.

Mais de trinta anos depois chega-nos a adaptação em cinema do relato em primeira mão de um dos agentes secretos da Mossad, Juval Aviv – aqui Avner – que com a sua equipa foi encarregado pelo governo israelita de encontrar e exterminar os terroristas palestinianos sobreviventes, escondidos em diversas cidades europeias, numa operação secreta não reconhecida oficialmente (ou por quaisquer outros meios) por Israel.

Munich é um objecto dilacerante de cinema e uma “bomba” que não deixará ninguém incólume. No entanto não há aqui qualquer exasperação ou elevação do conteúdo dramático desta história. É uma viagem às trevas que residem no interior de cada ser humano, viagem essa que pode ser irreversível e deixar feridas tão profundas que toda a humanidade restante acabará por emanar abruptamente por elas. Aqui, essa jornada é metaforizada por uma queda sucessiva num abismo moral, e em Avner, vemos um ser humano perder consecutivamente aquilo que mais celebra e valoriza enquanto filho de Israel. Se de início não tem como recusar a honra de fazer justiça, vai-se perdendo lentamente pelo caminho sinuoso que percorre.

É angustiante a forma como Spielberg filma Munich, uma séria transfiguração da forma como usualmente conta uma história e da própria maneira como a filma. Parece atravessar o âmago mais recôndito dos corpos que habitam este fatal conto, como que a anunciar a sua inevitável cadência para os trilhos mais soturnos da mente humana. E do ponto de vista puramente técnico, Spielberg, mestre do trabalho de câmara e da estética cénica, nunca filmou tão bem e com tamanha destreza e penetrância, mergulhando plano a plano numa escuridão cada vez mais acutilante e devastadora. Aqui conta com o trabalho fenomenal do seu director de fotografia Janusz Kaminski.

E Eric Bana encarna na perfeição este homem torturado e em crescente amargura, o líder de um elenco absolutamente fulgurante (destaque para Ciarán Hinds, Daniel Craig – o próximo Bond – e Mathieu Amalric), numa interpretação pungente e sofrida, mas nunca minimamente manipulada ou manipuladora. De facto a sobriedade soturna de Munich é o que o torna tão marcante, na abordagem quase isenta de julgamentos ou soluções morais, e sem nunca poupar qualquer um dos lados à verdade, é um terrível ensaio sobre a morte espiritual e mental. No final nada resta senão corpos deambulantes e inertes, resultado de uma chacina interna tão assoladora quanto a própria injustiça que os moveu. Uma experiência tenebrosa que ninguém poderá esquecer.

    




 






 


 




1. Woman Once a Brid left...
Wednesday, 22 March 2006 12:28 am

Gostei do filme. Muito. Abominei a sequência final.