Uma jovem mãe e o seu filho Akira mudam-se para um pequeno apartamento em Tokyo. Uma situação aparentemente convencional, mas mais tarde, escondidos em malas ou chegando mais tarde de comboio, surgem mais três crianças, dois deles quase bebés. Mais tarde apercebemo-nos que se tratam de filhos de pais diferentes, frutos dos “amores” fugidios da mãe e que toda a situação clandestina se trata de uma maneira de fugir a rendas altas e à acção da segurança social. A mãe está sempre ausente, por períodos que chegam a enquadrar diversos meses, deixando ou enviando dinheiro para o sustento dos filhos. 
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RottenTomatoes: 86% (COTC:94%) ; IMDB: 8.2/10
Vidas roubadas
Estes, proibidos obviamente de ir à escola, passam o dia em casa. Yuki e Shigeru, os mais novos, brincam como podem, e a alegria que projectam é a de quem ainda não está bem ciente da precariedade das suas vidas e todos os dias parecem viver com a esperança inabalável de que tudo irá correr pelo melhor. Kyoko começa já a sentir o desespero silencioso da prisão em que se encontra, ciente de que os seus sonhos e aspirações mais imediatas nunca se irão concretizar. O mais velho, Akira com doze anos, é o chefe da família, o único a quem é permitido sair de casa para fazer as compras necessárias para preparar as refeições para os seus irmãos.
Akira é um símbolo trágico de uma maturidade apressada, alguém que viu a sua infância roubada pela irresponsabilidade e desatenção da própria mãe e que por amor aos seus irmãos renega aquilo que qualquer criança preza ou valoriza. Um trabalho absolutamente fenomenal de Yûka Yagira, o vencedor surpresa do prémio de Melhor Actor na última edição do Festival de Cannes, e das restantes crianças cujos olhos revelam uma inocência disrompida e acima de tudo a força da ligação entre eles. A ambiência quase documental e lírica de Kore-eda Hirokazu é totalmente imersa numa melancolia terna e muda e vemos as crianças presas num mundo paralelo, entre a ilusão e a realidade, como espectros isolados que só se têm uns aos outros.
Numa das ausências prolongadas da mãe o dinheiro começa a escassear, a água e a electricidade desaparecem, a comida cada vez mais rara. Mas Akira não descura do seu papel e arranja sempre solução para os seus problemas, recorrendo a refeições do supermercado que já passaram do prazo de validade, tomar banho no parque infantil, entre outros. Apesar das cada vez mais horríficas condições, os quatro irmãos parecem nunca se render à angústia e acabam inclusive por dar alento a uma jovem ostracizada pelos colegas e que encontra conforto naquela família. Nobody Knows é um daqueles objectos da natureza humana que só aparecem muito raramente e que na sua melancolia dilacerante são mais inspiradores do que qualquer feito heróico ou lendário. Num paradoxo de contenção demarcado por uma estranha satisfação e uma tristeza devastadora, é uma obra que deixará qualquer espectador profundamente afectado com um desgastante sentimento de perda e abatimento que tão cedo não o abandonará. Um dos mais dolorosamente belos filmes dos últimos anos, testamento de uma história que jamais será esquecida e sempre lembrada com a mais genuína e desencantada lágrima.


bemmm.. tenho mesmo de ver este filme, para avaliar se é tão bom quanto
dizes :P
OLha recebeste o meu mail? Abraço
Pedro Romão
Tambem adoraria ver, mas infelizmente existem filmes como "A Pantera
Cor-de-Rosa" ou "Apenas Amigos" que em cada cinema que formos está em
exibição, e filmes como "NOBODY KNOWS" que no Porto não estão em exibição
em cinema algum. Terei então que ficar à espera que lancem o DVD, com
grande pena minha.