Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl foi um fenómeno imprevisível. Pela novidade e pelo rigor desregrado do entretenimento que proporcionava acabou por conquistar multidões e tornar-se num dos filmes mais rentáveis do ano. Muito – ou na realidade quase totalmente - graças ao carisma e talento inultrapassáveis de Johnny Depp que finalmente teve a sua primeira nomeação ao Óscar neste bizarro papel de um pirata lendário e impiedoso... ligeiramente efeminado e atrozmente embriagado. As peripécias mirabolescas e deliciosamente hilariantes aventuras do Capitão Jack Sparrow garantiam logo à partida uma sequela de sucesso. 
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RottenTomatoes: 53% (COTC:42%) ; IMDB: 7.5/10
Tesouro desviado
"Maboogie snickel snickel. Toute suite, come on! "
E não desiludiu, quebrando vários records de presença nas bilheteiras norte-americanas, mostrando a clara afluência do público a um novo capítulo: desta feita o primeiro de dois – o terceiro filme foi filmado quase simultaneamente – acompanhando novamente Sparrow numa viagem ao fim do mundo para enfrentar o pirata condenado e lorde dos mares Davy Jones com quem tem uma dívida mortal. Como de esperar tudo fará para salvar novamente a sua pele – o seu mais triunfante talento – e apoderar-se da única vulnerabilidade do seu nemesis.
E novamente Depp não decepciona. A sua incarnação de Sparrow continua tão original e burlesca como há uns anos atrás, um testamento à capacidade camaleónica do actor mesmo dentro do mesmo peculiar papel. A insanidade extravagante da personagem é novamente o grande motor do filme, que possui o mesmo espírito positivamente excessivo e delirante do primeiro capítulo. Aliás chega a ultrapassá-lo em diversos momentos como o genial segmento decorrido na ilha populada por canibais e num posterior e caricato “duelo a três”. Até as personagens parecem mais bem esculpidas, nomeadamente a de Keira Knightley e consegue ganhar chama própria e proporcionar momentos memoráveis a contracenar com Johnny Depp, revelando uma química interessante que possivelmente será mais bem explorada no próximo filme.
No entanto parece faltar a Dead Man Chest a fluidez tão valorosa que tornou The Curse of the Black Pearl um objecto de entretenimento quase irrepreensível, que apesar de não atingir os melhores momentos desta nova obra, consegue manter sempre um ritmo mais que satisfatório. E apesar de aqui dos pontos altos serem bem mais flagrantes, os baixos também o são. Não só se arrasta em diversas secções – incluindo no final – como também promove uma série de linhas narrativas inócuas que não levam a direcção nenhuma, dispersando-se em demasia e não conseguindo manter o mesmo passo firme do original. Este aspecto num filme desta natureza torna-se ainda mais crucial, visto que se anteriormente as duas horas passavam de forma quase instantânea aqui existem diversas alturas em que se sente o tempo passar numa repetição indecifrável, denunciado ainda mais o já exagerado tempo de duração.
Uma pena... visto que este desequilíbrio tão evidente acaba por minar a diversão imparável que caracterizou as desventuras anteriores de Sparrow. Algo ainda a tempo de corrigir no próximo filme a estrear já para o ano.

