Um grupo de investigadores científicos reúne-se na garagem de um deles tentando edificar um projecto que os levante do anonimato e lhes dê o prestigio para enveredarem na vida que sempre quiseram ter para eles mesmos. Mas dois deles acabam por descobrir algo inesperado e juntos analisam algo que poderá mudar a vida de todos os seres humanos no planeta. Primer, uma primeira obra de Shane Carruth, realizador, argumentista e um dos protagonistas, é uma invulgar e fascinante incursão na ficção cientifica e exploração da temática de viagem no tempo, algo que os físicos crêem ser possível mas ainda insustentável. Carruth consegue no entanto engendrar uma história na qual aplica algumas destas teorias e cria um dos mais inteligentes, confusos e extasiantes enredos dos últimos anos. Lentamente vai desvendando peças do puzzle e reunindo-as todas em prol de uma narrativa enigmática e envolta num mistério quase insolúvel. No entanto não há nada fantasioso na abordagem ao tema,
Postulados de Carruth
atribuindo-lhe sempre uma ambiência extremamente realista, sinuosa e cientificamente legítima, tornando os eventos que se vão desenrolando ainda mais desconcertantes. Primer é provavelmente o maior enigma cinematográfico a surgir depois de Mulholland Drive, mas desta vez envolve uma racionalização indutiva que só poderá fazer algum sentido após horas e horas de formulações de hipóteses e resolução das mesmas até chegar a um ponto em que é evidente que existem centenas de maneiras concludentes de descortinar o problema. Talvez seja por isso que se tenha tornado num objecto de culto depois de ter vencido em Sundance e mais concretamente com o lançamento em DVD. Primer é um desafio alucinante e labiríntico que poderá não seduzir todos os que o vêm... mas para aqueles que investem até ao final, acaba por se mostrar revelador, cativante e impossível de esquecer. As questões levantadas irão mesmo converter-se numa assombração sufocante.