Alerta mínimo
Andrea Arnold, vencedora de um Óscar por uma curta, é um dos novos valores do cinema britânico, nomeadamente no seu país natal, a Escócia. Red Road, a sua primeira longa metragem, trata de explorar as reviravoltas na vida de uma mulher que vive na sombra da morte do seu marido e filha. Jackie trabalha enquanto operadora de câmaras de vigilância na cidade de Glasgow e diariamente observa a vida de centenas de pessoas, quando se depara com o homem que causou a morte da sua família, prematuramente liberto da sua sentença. Este filme ponderava ser um interessante ensaio sobre o poder paradoxal da imagem, por vezes contraditória e enganadora quando confrontada com a realidade. Existem breves momentos onde tal objectivo é cumprido, especialmente na interpretação desnorteada da actriz Kate Dickie, mas no entanto Red Road é, predominantemente, uma obra tremendamente falhada, embebido numa inocuidade ocasionada por uma narrativa de mais de noventa minutos que mal daria para preencher uma curta-metragem. Existe ao longo de todo o filme uma sensação de exaustão que contamina o lento desenrolar da acção e acaba por tornar as personagens em esboços indistintos do que deveriam ser. Ainda que sejam necessários esforços deste género no cinema europeu, o valor deste Red Road reduz-se mesmo a isso: a uma tentativa frustrada de invenção que não tem muito mais relevância que uma comédia romântica descartável. 