
Scoop'd
O ano passado chegou-nos uma surpresa inesperada de Woody Allen: depois de uma série de filmes medíocres ou simplesmente falhados, chegou-nos Match Point, um drama doentio de um jovem britânico que tudo faria para se integrar na aristocracia. Desta vez e em jeito de comédia, Allen continua a explorar as classes altas inglesas e aqui um dos seus mais distintos e promissores representantes é investigado por uma americana de um jornal universitário e um mágico de segunda com o intuito de o desvendarem enquanto um serial killer londrino. Tudo a partir de uma pista deixada por um repórter falecido que escapa da barca da morte em busca do seu último grande “Scoop”. O burlesco assumido do filme, bem vindo nos momentos iniciais, acaba por condenar o filme e torná-lo numa série repetitiva de eventos inconsequentes. O mistério nunca tem qualquer relevância enquanto motor das acções das personagens e existe um certo desconforto em algumas cenas mais forçadas. No entanto tem algo muito interessante: para além de momentos ou piadas inspiradas, ainda que demasiado espaçadas, dá uma pequena amostra da velha dinâmica entre Woody Allen e a sua actriz em conversa atabalhoada enquanto caminham pela rua, neste caso Scarlett Johansson. As cenas conjuntas são as mais agradáveis do filme, com Johansson a descobrir lentamente a sua (em inicio desafinada) veia cómica, e nela Allen parece querer espelhar o seu tão peculiar “eu” no feminino. No entanto este seu segundo projecto londrino é um passo atrás depois da sobriedade sórdida e cativante de Match Point.

Tens toda a razão Match Point marcou o regresso em grande de Woody Allen.
Percebe-se agora porquê, tinha-lhe faltado a musa que ele encontrou na
Scarlett...
Obrigado Jorge. Papel como? Isto é só mesmo um blog, nada mais hehe
Abraço
Concordo (um bocadinho) com o "passo atrás".