
Tiremos já a questão mais pertinente do caminho antes de avançar: a adaptação cinematográfica de Matthew Vaughn não chega aos calcanhares do manuscrito original de Neil Gaiman, um conto de fadas simultaneamente pós-moderno e reminescente dos grandes clássicos. Não deixa de ser contudo uma lufada de ar fresco no território do género de fantasia, inacreditavelmente mais formulaico e inócuo, mesmo quando Lord of the Rings parecia arrombado novas portas – infelizmente nada de memorável resultou ainda da revolução de Peter Jackson. Pelo menos até agora, quando Vaughn, realizador britânico de Layer Cake, volta a reunir o imaginário perdido da inocência dos sonhos sonhados e vividos em Stardust.
Aqui um pacato e aparentemente frágil jovem provinciano tem de atravessar o muro para um desconhecido mundo de magia em busca de uma estrela cadente, condição para que o amor da sua vida o aceite como marido. Mas a estrela, não exactamente aquilo que esperava, é cobiçada também por uma bruxa em busca da juventude eterna e do sanguinário herdeiro do reino onde se encontra. Este mundo, mais vivo e complexo em texto, tem tanto de mesmerizante como de medonho e estas inesperadas aventuras levam Tristan a abandonar a timidez da juventude e constantemente colocar-se ao nível dos desafios. Afinal de contas tem de enfrentar nada mais nada menos que a mais bela, ainda que decadente, bruxa de sempre, Michelle Pfeiffer, certamente ela própria detentora de uma constelação para manter a mesma beleza arrebatadora que a tornou tão única em Hollywood. E nos laivos de maldade desta feiticeira compõe uma deliciosa e memorável personagem ao mesmo tempo que exige toda a atenção para este seu fulgurante retorno.
Uma das personagens mais distanciadas do livro é a de Robert De Niro. E se alguns momentos narrativos perdem-se na acção frenética das imagens este é uma excelente adição. O pirata dos ares de De Niro é também ele inesquécivel e a razão pela qual o é deixarei em aberto para que não se diluam gargalhadas aquando da grande revelação. Mas o cerne do filme é mesmo o crescimento emocional do adolescente Tristran, no papel de apresentação de Charlie Cox, e da relação de genuíno e imaculado amor que vai construindo com alguém que julgava ser inicialmente nada mais que uma rocha brilhante que teria de carregar a caminho de casa e do coração da sua amada. Mas é aí que Claire Danes, mais cintilante que nunca, acontece. Nem sempre os desejos se concretizam da maneira mais evidente.

Vi este filme esta semana, e digo que surpreendeu para a positiva, não é
claro uma obra-priam da fantasia como a trilogia de Peter Jackson, mas é de
certeza comparado com a maioria dos decepcionantes blockbusters deste ano,
um entreteniemnto quase obrigatorio.
Eu sou fã do Neil Gaiman. Desde há 2 anos (altura em que me foi apresentado
o Sandman) que sigo o trabalho dele. A unica razão pela qual fui ver o
Stardust foi por saber que é um filme baseado no livro de Gaiman e foi
provavelmente a maior desilusão que já tive numa sala de cinema.
Nunca li o Stardust mas já li o American Gods, o Good Omens e Coraline.
Short-stories e os volumes de Sandman e Murder Mysteries. Não sei até que
ponto o filme é fiel ao livro mas não houve um unico momento onde eu
pudesse dizer que reconheci a sua escrita e o seu génio. Nada no filme se
assemelha ao que conheço da escrita de Gaiman. O filme está repleto de
clichés e piadas infantis. O seu humor em Good Omens (ao lado de Terry
Pratchett) com piadas adultas e inteligentes em nada se assemelha ao que
existe em Stardust. O final do filme é semelhante a duzias de filmes da
Disney contrariamente aos fins supreendentes a que ele nos habituou.
Devo dizer que gostei mais do filme do que tu ou os teus comentadores...lol
Infelizmente só li um livro do Gaiman, apesar de estar familiarizada com os
livros dele e a forma como conta as histórias. Sinceramente, reconheci
muito do escritor neste filme. Pelo menos deu-me a sensação que senti no
livro, aquela felicidade acolhedora de algo tão familiar e bizarro ao mesmo
tempo. Além de que os conceitos de estrela cadente que naquele reino
específico é uma pessoa e dos príncipes mortos a serem plateia das
aventuras dos príncipes ainda vivos, entre outras pérolas, são extremamente
Gaimanescas.