
Chega agora o derradeiro final a saga de Jason Bourne, um super-soldado desenvolvido por agências secretas americanas que luta para recuperar a sua identidade. No último capítulo temos a conclusão de um conjunto de filmes que tentaram redefinir o conceito de filme de espionagem para o séc. XXI. E se o primeiro filme era promissor e o segundo (muito) menos, este Bourne Ultimatum é tão fulminante que nos obriga a reavaliar os restantes filmes. A dimensão da personagem atinge o seu culminar enquanto que as pontas deixadas soltas são finalmente atadas de forma a criar uma nova história. Na frieza emocional de Bourne é gerada uma nova era do anti-herói na veia de Bond, também ele hoje em dia modificado para expressar uma violência mais crua e implacável de modo a conseguir reflectir de algum modo o que se passa fora das salas de cinema. Matt Damon, actor extremamente subvalorizado como já tinha afirmado aquando do texto de The Good Shepherd onde o actor tem uma das suas mais brilhantes interpretações, é um improvável herói de acção, tendo em conta o seu percurso em cinema. Mas ao vê-lo na tela enquanto Bourne tudo faz sentido e é dificil recordarmo-nos de uma personagem tão autêntica dentro do género e simultaneamente tão ambigua. E se a inocuidade dramática da mesma parecia impedi-lo de atingir mais altos voos nos capitulos anteriores aqui fecha o circulo e atribui-lhe uma complexidade exaltada por flashbacks cirurgicamente implantados. A realização de Paul Greengrass, recentemente aclamado por United 93, continua a captar a realidade “documental” da acção, com a câmara a acompanhar cada movimento dos actores, com acentuada diferenciação de Bourne em relação a todos os outros. Existem também as cenas de acção mais prodigiosas da saga, com especial destaque para a perseguição em Tânger. As paisagens urbanas mudam constantemente mas é o leque de actores que Greengrass recruta para acompanhar Damon que fazem a diferença. David Strathairn é uma magnifica e autoritária adição ao elenco, também composto por actores tão diversos como Paddy Considine, Daniel Brühl e Albert Finney. A magnifica Joan Allen está de volta enquanto responsável pela investigação do caso Bourne bem como Julia Stiles, uma agente da CIA que pela primeira vez convoca a coragem para tomar o caminho “correcto”. É nela que vemos pela primeira vez uma faceta desesperadamente humana de Bourne à medida que a sua vida se vai desmoronando. São estas fugazes cenas e um entendimento maior de tudo aquilo representado que nos faz querer repensar tudo aquilo que veio antes. Só esse facto é não menos que prodigioso.

A melhor coisa que aconteceu á série foi o facto de Doug Liman ter saido do
projecto depois do cansado The Bourne Identity. Greengrass foi a melhor
adquirição, porque deu um estilo proprio ao filme Supremacia, com aquela
camara insegura e inquientante que foi bastante util no perturbador United
93. Este The Bourne Ultimatum não é supeior que o segundo, porque o seu
desenrolar é demasiado dependente do memso, o filme a certa altura soa a
déjá vu, e o final, se queres que eu diga desiludiu-me, é bastante
semelhante a Total Recall de Pual Verhoeven. Mesmo assim não desilude quem
é fã da saga.