
Quem esperava ver uma das actrizes mais emblemáticas de Hollywood regressar aos grandes filmes vai ter de esperar mais um pouco. O promissor The Brave One, sobre uma mulher que face a perder o noivo se torna numa vigilante que toma as rédeas da justiça nas ruas desregradas de Nova Iorque, é nada mais que um simplista golpe de incoerência e fantasia dramática. Estranho ver a assinatura de Neil Jordan num objecto tão pouco honesto com a sua personagem principal, que no lugar de uma suposta "heroína" inspiradora e dilacerada pela sua dualidade reside uma sombra telenoveleira daquilo que podia ser. A interpretação de Jodie Foster é brilhante mas contudo não chega para salvar o filme de um trágico e inalterável acidente. No final moralmente imoral sente-se a mentira a jorrar do ecrã e tudo aquilo que foi previamente (e forçosamente) relatado cai por terra com um tremendo e sonoro estrondo, já para não mencionar os casos de xenofobia latente que pontuam quase todos os momentos de violência do filme. Mais um caso evidente e gritante de talento desperdiçado.
Ainda não consegui ir ao cinema (raio de semanas estas), mas gosto de ver
uma voz dissonante... fico com mais curiosidade ;)
Finalmente, alguém que não acha o filme fantástico. Partilho da tua
opinião, contudo não sou tão drástica na classificação.
Não concordo absolutamente nada com a tua crítica, principalmente quando
dizes "casos de xenofobia latente", porque acho que o filme nunca toma essa
posição, nem mesmo de forma subtil. Lembro que a personagem da Jodie Foster
é até "democrática" nas suas escolhas, se me permitem a expressão. Esse
fácil raciocínio da xenofobia é o equivalente à já lendária afirmação de
que O Fabuloso Destino de Amélie é um filme racista por não existir uma
única personagem negra. Sinceramente, a haver xenofobia neste filme essa
virá da parte do detective de Terrence Howard, quando diz a Erica que
lamenta a morte do seu "amigo". Considero este The Brave One um fabuloso
filme sobre uma mulher em busca de novas coordenadas emocionais e afectivas
após uma tragédia e acho que é desde já um dos melhores filmes que vi este
ano.
O que eu queria dizer com xenofobia latente foi com a insistência
recorrente de atribuir actos de extrema violência a minorias raciais. O
gang era latino, os assaltantes do comboio eram negros e o vendedor de
armas ilegais era asiático. Não há como fugir a estes estereotipos?!
Xenofobia? se este filme é xenofobico então BAd Boys tb é por apresentar
sempre vilões caucasianos. E se acusas este filme de xenofobia, então
diz-me porque é que o namorado de ERica Baine era Naveen Andrews e o
detective ser Terrence Howard. Sinceramente achei a tua pontuação uito de
cabeça fria, as boas interpretações não contam, a realização tb não nem o
resto tecnico. Ao dar 1 estrela a este filme, estás a mete-lo no mesmo
patamar que um Alone In The Dark. Tens um bom blog, mas cada vez andas mais
parecido com um critico de jornal.
Mas Nuno, lembra-te que o homem que matou a mulher (aquele que tinha a
miúda amedrontada à sua responsabilidade) era caucasiano. Não vejo o filme
por esse prisma, daí dizer que a actuação de Erica é até "democrática".
Cumprimentos
Não está ao mesmo patamar que o Alone in the Dark mas uma estrela acima. E
de qualquer maneira não tenho de expressar a voz da maioria mas sim a minha
opinião. Aliás é para isso que fiz o blog inicialmente.