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Filmes de 2005

LastFM

THE EXORCIST (1973) de William Friedkin

posted Friday, 22 April 2005


com Ellen Burstyn, Linda Blair, Jason Miller e Max Von Sydow

Ver trailer
ROTTENTOMATOES: 91% ; IMDB: 7.9/10 (TOP 250 ALL-TIME: #213)


Filha do mal
"Your mother sucks cocks in Hell, Karras, you faithless slime"

Podem-se contar pelos dedos o número de clássicos do terror que vão perdendo a chama ao longo do tempo. Talvez este género em particular esteja mais propenso a um envelhecimento prematuro quando comparado com outros como o drama, que normalmente não tem “data de validade”. Porque até Halloween, um dos grandes marcos do cinema a este nível, é hoje visto já com algum distanciamento e quase puramente pelo estatuto que possui. Rosemary’s Baby por outro lado parece ser imortal na suspensão da realidade e da manifestação do mais puro horror.

The Exorcist é outro dos incontornáveis baluartes do terror e a história da possessão de uma inocente rapariguinha de doze anos, filha de uma famosa estrela de cinema que se vê obrigada a recorrer a métodos pouco científicos depois da demência da sua filha ter sido descartada por dezenas de médicos especialistas. Terá então de recorrer a um padre cuja alma se encontra dilacerada para que um exorcismo seja aprovado e a sua filha retorne ao seu estado normal.

A feitiçaria e possessão demoníaca continuam a ser assuntos que atraem de forma surpreendentemente a mente humana, mesmo que tais fenómenos sejam descartados logo à partida. A realidade é que ninguém pode efectivamente provar a existência ou inexistência do oculto, tratando-se novamente de uma questão recorrente de fé, que aqui até pode ser completamente desprovida de significado religioso. E The Exorcist foi absolutamente revolucionário a esse nível. Numa época de grandes contestações e escândalos políticos, o conto paranormal de William Petter Blatty adaptado por William Friedkin trouxe uma espécie de rebelião ao mundo do cinema e tornou-se num fenómeno a nível mundial, titulo de manchetes de jornal mesmo em pelo Watergate, originando não só filas e filas de pessoas de todas as idades a concentrarem-se nas bilheteiras como também protestos contra a natureza gráfica do filme.

É que The Exorcist não é somente um filme de suspense com contornos de horror… a violência física e verbal e de tal modo intensa que continua a provocar gritos de estupefacção trinta anos depois do seu lançamento. Não só porque pela primeira vez explorou-se em cinema o tema do domínio maléfico em crianças – algo que agora é usado até à exaustão – porque dá a esta reencarnação demoníaca uma conotação sexualmente e moralmente perturbadora, culminando na masturbação/mutilação genital de Linda Blair com um crucifixo, enquanto grita “Let Jesus fuck you”. Embora exista um humor doentio a percorrer todo o filme, esta cena em particular é um deleitoso atentado ao tão falso pudor americano a inúmeros níveis.  

Mas o choque de todas estas intervenções do príncipe do mal é apenas um detalhe de uma narrativa bem estruturada, pontuada por interpretações magníficas de Ellen Burstyn, Jason Miller e Max Von Sydow. Por estes e outros motivos The Exorcist continua a ser uma reverenciada obra do género com uma história de sucesso inolvidável, comprovada até pela casta Academia de Hollywood. É que três décadas depois da estreia este filme de William Friedkin não só é reconhecido como um dos grandes clássicos do terror como também continua a fazer cair queixos com a sua imperecível ousadia.

     








1. a reader left...
Saturday, 23 April 2005 12:58 am

E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo

Believe on the Lord Jesus Chirst, and thou shalt be saved

Melchizedek


2. Nuno Gonçalves left...
Wednesday, 27 April 2005 5:13 pm

Hum...ok. Obrigado pelo aviso...