
com Ellen Burstyn, Linda Blair, Jason Miller e Max Von Sydow
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ROTTENTOMATOES: 91% ; IMDB: 7.9/10 (TOP 250 ALL-TIME: #213)
Filha do mal
"Your mother sucks cocks in Hell, Karras, you faithless slime"
Podem-se contar pelos dedos o número de clássicos do terror que vão perdendo a chama ao longo do tempo. Talvez este género em particular esteja mais propenso a um envelhecimento prematuro quando comparado com outros como o drama, que normalmente não tem “data de validade”. Porque até Halloween, um dos grandes marcos do cinema a este nível, é hoje visto já com algum distanciamento e quase puramente pelo estatuto que possui. Rosemary’s Baby por outro lado parece ser imortal na suspensão da realidade e da manifestação do mais puro horror.
The Exorcist é outro dos incontornáveis baluartes do terror e a história da possessão de uma inocente rapariguinha de doze anos, filha de uma famosa estrela de cinema que se vê obrigada a recorrer a métodos pouco científicos depois da demência da sua filha ter sido descartada por dezenas de médicos especialistas. Terá então de recorrer a um padre cuja alma se encontra dilacerada para que um exorcismo seja aprovado e a sua filha retorne ao seu estado normal.
A feitiçaria e possessão demoníaca continuam a ser assuntos que atraem de forma surpreendentemente a mente humana, mesmo que tais fenómenos sejam descartados logo à partida. A realidade é que ninguém pode efectivamente provar a existência ou inexistência do oculto, tratando-se novamente de uma questão recorrente de fé, que aqui até pode ser completamente desprovida de significado religioso. E The Exorcist foi absolutamente revolucionário a esse nível. Numa época de grandes contestações e escândalos políticos, o conto paranormal de William Petter Blatty adaptado por William Friedkin trouxe uma espécie de rebelião ao mundo do cinema e tornou-se num fenómeno a nível mundial, titulo de manchetes de jornal mesmo em pelo Watergate, originando não só filas e filas de pessoas de todas as idades a concentrarem-se nas bilheteiras como também protestos contra a natureza gráfica do filme.
É que The Exorcist não é somente um filme de suspense com contornos de horror… a violência física e verbal e de tal modo intensa que continua a provocar gritos de estupefacção trinta anos depois do seu lançamento. Não só porque pela primeira vez explorou-se em cinema o tema do domínio maléfico em crianças – algo que agora é usado até à exaustão – porque dá a esta reencarnação demoníaca uma conotação sexualmente e moralmente perturbadora, culminando na masturbação/mutilação genital de Linda Blair com um crucifixo, enquanto grita “Let Jesus fuck you”. Embora exista um humor doentio a percorrer todo o filme, esta cena em particular é um deleitoso atentado ao tão falso pudor americano a inúmeros níveis.
Mas o choque de todas estas intervenções do príncipe do mal é apenas um detalhe de uma narrativa bem estruturada, pontuada por interpretações magníficas de Ellen Burstyn, Jason Miller e Max Von Sydow. Por estes e outros motivos The Exorcist continua a ser uma reverenciada obra do género com uma história de sucesso inolvidável, comprovada até pela casta Academia de Hollywood. É que três décadas depois da estreia este filme de William Friedkin não só é reconhecido como um dos grandes clássicos do terror como também continua a fazer cair queixos com a sua imperecível ousadia.

E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no
lago de fogo
Believe on the Lord Jesus Chirst, and thou shalt be saved
Melchizedek