
Um novo noir
Nesta nova adaptação para cinema de um policial de James Ellroy, depois de L.A. Confidential, Brian de Palma explora o brutal assassinato de Elizabeth Short, uma aspirante a estrela de Hollywood que é encontrada na berma de uma estrada eviscerada, decepada a meio e com um corte profundo de orelha a orelha. Mas tudo começa com Bucky Bleichert e o seu parceiro Lee Blanchard, dois amigos e antigos lutadores de boxe, que depois de uma última luta (ou golpe político publicitário) são promovidos no posto e tornam-se num dos pilares da investigação criminal de Los Angeles. Tudo parece idílico durante uns tempos, e aqui De Palma é extremamente leal ao género policial dos anos 30 e 40 com todas as suas nuances dramáticas e peculiaridades, os jantares e festas com a namorada de Lee, Kay Lake, a popularidade na esquadra e na imprensa... até o nome de Short inundar os jornais. A partir deste momento tudo muda e The Black Dahlia torna-se numa cruel e intensa espiral de obsessão, que se espelha a nível estilístico, criando repentinas mas alucinantes mudanças de ambiência, viajando do clássico noir à insanidade total, com apontamentos de comicidade extrema a contrastar com a por vezes horrífica parada de violência. A única constante é a realização particularmente inspirada de Brian De Palma, quase um expatriado de Hollywood (este filme, como é normal, teve críticas horrendas no seu país natal), mostra um virtuosismo invejável, não só do ponto de vista técnico, onde se mostra no topo de forma com planos sobrepostos e sequências exuberantes, mas na própria forma como vai narrando este conto de forma tão desmesurada e plena de fulgor. Josh Harnett é um protagonista mais que capaz e aqui encontra facilmente o seu papel mais marcante em cinema enquanto Hilary Swank interpreta magnificamente uma misteriosa femme fatale libidinosa e Scarlett Johansson invoca com pompa e sumptuosidade o ícone clássico de starlet hollywoodiana. Apesar de uns breves instantes de indecisão narrativa, The Black Dahlia é uma ousada, sensual e ambígua reinvenção do género noir ala De Palma, com uma trama sempre aliciante e com um desfecho brilhante que, no seu delicioso excesso, é cinematograficamente majestosa.


Estava a ver que estava sozinha. Eu também gostei bastante do filme!
Até "compreendo" algumas/muitas reacções negativas ao filme. É tão
excessivo e ousado que muita gente irá torcer o nariz. Eu, pessoalmente,
adorei a surpresa.
Quando o filme chegou ao fim, estava mergulhado naquela sensação tão
própria de quando se acaba de ver um filme de Brian De Palma - estava
maravilhado com a sua componente visual e estética e até um pouco
indisposto com alguns dos recantos mais negros da história (e dos trabalhos
de De Palma e Ellroy).
Infelizmente, o filme não me convenceu. É uma bela e opulenta salsada, com
coisas muito boas, pois quem sabe filmar sabe - e a película tem aquela
pinta descomunal - mas não deixa de ser uma salsada...
Bem, eu achei este filme o cúmulo do aborrecimento, com as piores
interpretações da carreira de alguns actores nele presentes... Alguma vez
viram a Scarlett tão insonsa? É que eu não, mas pronto. E a minha querida
Mia Kirschner? Do Josh Hartnett já nem digo nada, que ele sempre foi mau
actor. Aquele artificialismo é terrível e as relações estabelecidas entre
as personagens são tão forçadas que dói na alma. Aquelas tentativas de plot
twist psicadélicas foram tão ridículas que só dava para suspirar, fora
todos os momentos previsíveis que por ali aconteceram.
Valeu pela Hilary Swank, que é sempre fenomenal. Pena que a sua personagem
tenha sido algo maltratada pelo argumento, pela realização, pelo que
queiram chamar-lhe...