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Filmes de 2005

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THE GOOD GERMAN (2006) de Steven Soderbergh

posted Friday, 9 March 2007







Streets of Berlin


Berlim 1945. Uma cidade devastada pela guerra é agora eviscerada pelos diferentes lados vencedores, com forças militares americanas, britânicas e russas a ocuparem partes inteira da cidade. A conferência de Potsdam pretende acertar estas divisões de ocupação e desmilitarizar (e “desnazificar”) toda a Alemanha e Aústria. Para a cobrir uma publicação americana envia um jornalista militar, o capitão Jake Geismer, ele próprio habitante da cidade antes da deflagração da guerra. O seu motorista de serviço, Tully, um dos muitos elementos de corrupção dos serviços militares que negoceiam segredos e mercadoria entre as várias zonas de Berlim, leva-o involuntariamente ao encontro de Lena, uma paixão antiga, e que agora vive mais um dia “entretendo” as tropas americanas num bar nocturno.

Este filme de Soderbergh foi um fracasso de bilheteira e não teve qualquer tipo de menção honrosa nos Óscares levando a crer que o público americano ignorou por completo esta ousada incursão num género morto: o film-nóir. Existiu uma época em que o cinema respirava este tipo de histórias mas hoje parece ter caído no esquecimento geral e restricto a revisionamentos de eternos clássicos como Double Indemnity, M e The Third Man, nos quais, especialmente neste último de Carol Reed, Soderbergh se inspira grandemente não só na edificação da forma peculiar de narrativa como também na revisita de célebres planos dos mesmos filmes. The Good German possui todos os elementos fulcrais do mistério nóir: as personagens distantes e enigmáticas, uma ambiência incómoda e fria demarcada pela fotografia a preto e branco (antigamente uma necessidade, agora uma brilhante figura de estilo), autoria de Peter Andrews, o pseudónimo de Soderbergh enquanto director de fotografia.

Apesar de ser mais uma celebração do género noir e não tanto a sua reinvenção, esta obra de Soderbergh acaba por constituir uma lufada de ar fresco no panorama do cinema actual envolvendo a história, magnificamente incorporada nos eventos e cenários sombrios e degradados do pós-guerra, num universo (extinto) onde cada silêncio pode ser cortado pelo som de uma bala perpetrante. A pautar este intenso suspense está a soberba banda sonora de Thomas Newman, reminiscente das composições dos anos 40 e 50 da autoria de Bernard Herrmann, Max Steiner e do seu próprio pai, Alfred Newman. 

A estrutura de The Good German encontra-se dividida em três actos, tantos quantas as personagens principais e da emblemática narração na primeira pessoa, começando pela visita guiada aos podres da vida militar de Tobey Maguire, passando para a tentativa arriscada de George Clooney na resolução dos vários mistérios que se insurgem e terminando em Cate Blanchett, encarnação máxima da femme fatale dúbia e ininteligível, que parece trazer morte a todos os que a rodeiam, em prol da sua própria sobrevivência. Com a postura e olhar penetrante de uma Marlene Dietrich moderna, Blanchett é prodigiosa no modo como vai permitindo lentamente que a vulnerabilidade da sua personagem desvaneça e revele as suas fatais intenções. The Good German é um tributo ao cinema nóir e, simultaneamente, uma redescoberta do mesmo. E ainda que esta descoberta pareça querer cair no esquecimento a que ele estava minado há décadas, o arrojo e brilhantismo da construção cinematográfica merecem ser reconhecidos e aplaudidos. É que, para mal da variedade do cinema dos nossos dias, já não se contam histórias assim.












1. diogo left...
Friday, 9 March 2007 10:24 pm :: http://apersistenciadamemoria.blogspot.c

Tenho que confessar que o excerto que está a tocar (Jedem das Seine) é simplesmente fascinante. Não compreendo como é que Thomas Newman, que eu admiro muitíssimo, ainda não viu o seu talento reconhecido com um Oscar (não é o único, infelizmente). Quanto ao filme, estou ansioso por vê-lo. :) Cumprimentos cinéfilos.