Sangue no deserto No deserto do Novo México foram efectuados testes nucleares durante a década de 50. Algumas pequenas populações – predominantemente mineiros – decidiram não evacuar a área e ficaram com horríveis mutações, que passaram então à sua descendência e os isolaram completamente do mundo exterior. Uma família em férias acaba por ir para a este sítio inóspito e cedo descobrem que estes degenerados se tratam de seres sem escrúpulos, homicidas e provavelmente canibais. The Hills Have Eyes é um remake de um filme de Wes Craven dos anos 70, e aqui o cineasta do terror assume o papel de produtor para o realizador Alexandre Aja que consegue quase que inesperadamente concretizar com visão e arrojo este slasher movie com contornos doentios. Aja filma o suspense com grande precisão bem como todos os momentos de horror, não poupando o espectador a imagens plenamente escabrosas e pérfidas. Os seres que habitam aquelas colinas estéreis são na realidade monstros sem qualquer noção do certo e do errado e tal é explorado com grande eficácia, especialmente na forma como explora a manifestação do sangue em contraste com as frias cores do deserto e o pontua com ligeiras incursões no género western. O elenco é devidamente competente e constituído por caras que facilmente reconhecemos mas que não são (ainda) “celebridades”, como Emilie De Ravin – Claire, a recente mãe de LOST – e Aaron Stranford – o jovem mutante rebelde Pyro de X-Men. Depois de Hostel, parece que o horror norte-americano está em alta, e se The Hills Have Eyes não tem o mesmo requinte de crueldade do filme de Roth consegue alcançar tudo aquilo que propõe: duas horas de puro terror.

