Nas sombras de Hollywood
"You wouldn't be able to do these awful things to me if I weren't still in this chair" "But you are, Blanche, ya are in that chair"
Muito se diz sobre a relação tempestuosa entre as veteranas de Hollywood Bette David e Joan Crawford, rivais – inimigas até – assumidas e capazes de chacotear a outra publicamente para todo o mundo ouvir. Qual não foi a surpresa quando em 1962 contracenam juntas num filme. Mas What Ever Happened to Baby Jane não é um filme qualquer.
Trinta anos depois vemos as irmãs a viverem juntas na mesma casa onde cresceram, com Jane a “tomar conta” da
irmã que agora raramente sai de casa. A adversidade de Jane para com Blanche é evidente desde o início, apesar desta última negar qualquer tipo de má vontade por parte da irmã, como que desculpando o seu comportamento hostil. Mas as acções de Jane são pouco subtis e ao longo do filme vai-se observando um crescendo de violência para com Blanche, à medida que o ciúme e a inveja, e acima de tudo uma transtornada frustração, tomam conta dela ao ponto de não conseguir manter as réstias de sanidade que possuía, tentando ressuscitar o seu acto de há 50 anos com as mesmas roupas e canções, contratando um pianista, e tornando a sua irmã numa verdadeira prisioneira.
A actuação de Bette Davis no papel de Baby Jane é algo de simultaneamente grandioso e perturbador. É assustador ver o nível de desespero e negação de uma mulher que perdeu toda a sua dignidade e talento tão jovem e depois de uma fama tão irremediável. Nunca tendo conseguido aceitar o sucesso da sua irmã e o facto de ser Blanche a sustentá-la mesmo depois do acidente, corroem-na por dentro diariamente. Davis interpreta Jane numa espiral de cólera que a leva à loucura, com requintes de extravagância que só um ícone do cinema poderia representar, à semelhança do que Gloria Swanson fez em Sunset Boulevard. Este papel clássico surgiu numa altura em que os papeis chegavam cada vez mais raramente e depois de mais de trinta anos em cinema Davis faz novamente história. Crawford é igualmente magistral de uma forma muito mais contida e reprimida, tal como requeria o papel de vítima, mas a sua transparência e emotividade é notória ao longo de todo o filme. Tal como é a química entre as duas actrizes, especialmente da parte de Bett
e Davis, que já que a sua personagem nutria grande ódio para com a de Crawford, teve certamente um especial prazer nas cenas em que aterroriza fisicamente a irmã enferma.

Bloody hell, que cada vez tenho mais vontade de ver isto! Ao que parece,
sempre te deixou esmigalhado. Parece-me muito bem ;-)