Ópera de algibeiraDepois da dolorosa desilusão que foi The Curse of the Golden Flower chega-nos mais um épico marcial chinês, desta feita do realizador Feng Xiaogang, uma adaptação de Hamlet à dinastia Jin: a história de um príncipe herdeiro que depois da morte do seu pai, da ursupação do trono por parte do seu tio e da sua própria vida ser ameaçada pela guarda imperial, tem de sair da reclusão e voltar ao palácio. The Banquet é um melodrama opulento de intriga, romance e tragédia, ou pelo menos, seria o que se esperava desta obra de grande produção. É no entanto uma tentativa telenoveleira e embaraçosa de homenagear Shakespeare e o grande cinema histórico chinês, com a extravagância barroca a tentar esconder a inércia sentimental das personagens, bonecos ocos e com o único propósito narrativo de deixar adiantar novos e esquemáticos desfechos, dignos de um argumento de novela da tarde, pautado por alguns dos mais vergonhosos diálogos dos últimos tempos, capazes de convocar as mais desconfortáveis gargalhadas. E se estes são pontos em comum com a ópera falhada de Zhang Yimou, a verdade é que Xiaogang não possui o talento do seu conterrâneo e limita-se a decalcar imagens soltas, e já muito repetidas, dos mestres. Até as coreografias marciais do muito requisitado Yuen Woo-Ping parecem passadas a papel químico do seu trabalho em Kill Bill e Crouching Tiger, Hidden Dragon. Outra desilusão vinda do Oriente chega agora às nossas salas. Que os próximos inúmeros projectos que surgem de Hong Kong nos tirem este amargo sabor de veneno e pó da boca.
