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Filmes de 2005

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ZODIAC (2007) de David Fincher

posted Wednesday, 23 May 2007


 



As regras do jogo

O thriller pode ser tão difícil de rotular quanto o mais ambíguo dos dramas ou a mais abrangente das comédias. E tem sido um género em constante (r)evolução: com as suas raízes no film nóir, teve o seu primeiro pioneiro em Alfred Hitchock que descobriu uma potencialidade no suspense enquanto figura de estilo narrativa. Apesar das suas influências ainda se fazerem sentir nos dias de hoje, o típico thriller de Hollywood parece completamente desfigurado, sem a identidade dos percursores. Normalmente recheados por um enorme vazio, fruto da frivolidade das histórias – meros atractivos secundários para vender pipocas – são hoje em dia filmes descartáveis e fugazes distracções que pouco ou nada têm de arte. Felizmente existem excepções. E David Fincher é uma delas.

Creditado por ter reinventado o thriller policial com Se7en, Fincher tem sabido cultivar novas abordagens ao género, afastando-se de tudo o que vulgarmente se vê nas salas mas sem se desprender do motor revigorante do thriller, ou seja, a capacidade de se surpreender. É o que faz também em Zodiac, baseados em ficheiros policiais autênticos e no livro de Robert Graysmith sobre um assassino em série dos anos 60 e 70 que fez diversas vítimas na zona de San Francisco. Uma das grandes diferenças nesta obra de David Fincher está patente logo à partida, ao recusar-se a ser uma mera exploração criminal das actividades sanguinárias do misterioso psicopata e assumindo a sua visão exterior de quem o está a investigar, quer seja dos detectives directamente ligados ao caso ou de um ilustrador de um jornal diário que se deixa fascinar pelos crípticos métodos de comunicação do assassino.

E ao desprender-se das acções mais directas do objecto da investigação criminal – o assassino surge apenas nas cenas de carnificina, que não são horríficos momentos de terror mas de uma naturalidade visceral – Zodiac oferece-nos uma perspectiva totalmente alterada, onde as reacções que resultam das acções do homicida são mais cruciais que a resolução do caso em si, sempre enigmático e ambíguo na busca de potenciais suspeitos. Apesar de ultrapassar as duas hora e meia de duração, Zodiac é uma proeza de execução, com um argumento sempre inesperado, sem necessidade de recorrer a constantes twists, e com uma realização extraordinária, fiel no retrato de época mas com um sabor contemporâneo: no característico estilo soturno e engenhoso de David Fincher, que por exemplo se manifesta na condição de ser urbano do Homem moderno, e na forma como ousadamente manipula a câmara para se tornar não numa observadora fiel dos acontecimentos mas ela própria um espelho reactivo das personagens, todas elas interpretadas por um elenco prodigioso, com especial destaque para Mark Ruffalo e Jake Gyllenhaal, ambos devorados pela obsessão de encontrar uma resolução para o mistério que paira na consciência social da época. Este último é exímio na forma como deixa que a personalidade introvertida e algo reprimida da sua personagem seja dominada por essa mesma inconsolável necessidade de olhar alguém directamente nos olhos e saber no seu âmago que se trata do perpetrador de todos os crimes.

David Fincher mergulhou a fundo no imenso historial policial destas investigações que o assombram desde os seus tempos de criança quando habitava em San Francisco. E assim Zodiac torna-se não só numa invulgar e imprevisível obra de estimulante suspense, mas sobretudo num ensaio sobre a obsessão nas suas diversas manifestações, que neste caso tomam forma na frustração do policia que não se consegue aceitar a falta de provas e do interesse quase sórdido mas totalmente natural do observador que se deixa consumir pelo enigma, deixando de lado a família e a própria razão. No final nada é resolvido em concreto, o que poderá não satisfazer algum público mais sedento de respostas derradeiras. No entanto há que não só apreciar como também louvar a existência de um thriller que estimule o pensamento e não o reprima para os comuns níveis de entorpecimento. Mesmo ignorando a mestria exercida na construção dramática desta admirável obra de suspense, esse facto isolado seria suficiente para apontar Zodiac como um dos eventos cinematográficos do ano.

 

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1. Ana Pena left...
Saturday, 26 May 2007 10:37 pm

Dado que tem um protagonista "todo bom" tenciono ver :D


2. Nuno Gonçalves left...
Sunday, 27 May 2007 3:24 am

Pois. É mesmo por isso que vale a pena. Infelizmente para ti desta vez não há sodomia :(


3. mauro fonseca left...
Sunday, 3 June 2007 7:29 pm :: http://movingpictures.blogs.sapo.pt/

nao merece 5 estrelas. e um bom filme, mas falta algo.